Publicado por: Masao | 23 julho 2010

Agora, sim, dá pra ser igual a todo mundo

Embora saiba que muita gente trata isso com muita seriedade, experimentar HDR com algumas das minhas fotos é uma divertida sessão de workshop privado (faço de vez em quando).

Com o Photomatix, então, putz, isso é uma brincadeira. Só que juntando algumas fotos panorâmicas, a coisa começa a ficar mais legal.

 

Uma brincadeira em 10 minutos

 

Experimentei com alguns arquivos raw, salvando em 16 bits e diminuindo e aumentando a exposição (parece que isso é herético). Tudo isso me parece ser bem errado ou só chute, mas eu gostei. Imagino quando eu começar a fazer imagens para essa finalidade… Vou ter que aumentar as sessões de workshop privado!

Quando a gente começa a mexer nestes softwares da moda, a gente começa a sentir que está ficando igual aos outros, que, ao que parece, está todo mundo querendo.

Estou me sentindo melhor.


Respostas

  1. Masao, há tempos não vinha a seu blog. Não gosto muito de posts sobre técnica, mas acho que posso acrescentar algo a esse seu.
    Nós, na Cia de Foto, trabalhamos muito a imagem em uma etapa que chamamos de “pós-produção”. E nosso processo, muito intuitivo e desenvolvido a largo de 7 anos que estamos juntos, é muito parecido com o que vc acha que é errado, ou herético.
    Abrimos o mesmo RAW diversas vezes, sobrepondo camadas com exposições diferentes, que privilegiam pontos de alta e baixa luz e zonas de nosso interesse.
    Lembra muito o que fazíamos no quarto escuro, com máscaras e tal.
    O que eu acho interessante:
    - É um processo de re-fotografia, ou seja, escolhemos o que queremos valorizar, realçar ou esconder, dentro daquele quadro. Temos que saber o que queremos, senão não chegamos a lugar algium;
    - Com a ferramenta “pincel”, “revelamos” o que está na camada de baixo. Isso é quase artesanal. Depende de treino, de sensibilidade e de muita, mas muita, interpretação;
    - Em uma mesma imagem, podemos trabalhar zonas de contraste diferente, de temperaturas de cor diferentes, etc. Depende de onde e como vc. quer chegar;
    - É completamente intuitivo, subjetivo.

    Gostei muito quando vc. disse que ficou feliz em se sentir igual aos outros, porque a maravilha da tecnologia é o acesso a informação e conhecimento.
    Mais ainda quando disse que achava que sua experiência era um chute ou quando vc se sentiu rompendo alguma censura que tinha aí sobre o tratamento das imagens.
    Assim se dá a evolução, sem preconceitos.
    Um abraço.
    Rafa

    • Oi, Rafa.

      É uma alegria saber que você vem a este blog (meio abandonado, infelizmente) de vez em quando. Isso pode me animar a reativá-lo.
      Pelo carinho e consideração vou ter que ser menos econômico nas palavras do que o mito da urgência na internet aprova.

      O “herético” ao qual me referi no post é o que acham alguns fissurados em HDR, que ensinam a fazê-lo e sempre afirmam que o ideal – o certo ou o de melhor aproveitamento – é quando as imagens são capturadas com diferentes exposições. Eu posso fazer dessa forma, mas posso fazer partindo de um raw também. Pra mim, tanto faz, dependendo da finalidade do trabalho.

      Pessoalmente não acho o tratamento em camadas ruim. Nos meus workshops privados (eu e um site ou uma revista) aprendi a usar o filtro high pass, que aplico com frequência. As panorâmicas, que gosto de fazer, têm um trabalho que é exatamente usar o pincel em camadas para acertar as costuras desajustadas. Neste exemplo eu tenho, às vezes, que optar em apagar uma pessoa para ter outra na pan.

      Diferentemente de você, eu preciso ir a sites técnicos. Desde que entendi (e isso demorou) que as mudanças da fotografia digital eram muito maiores do que a plataforma e precisava decidir se essa forma de captura me interessava tanto quanto a outra (física e analógica).

      Mas se a técnica tem suas alterações (não falo em avanços porque isso não é uma coisa absoluta), existem valores que foram embaralhados nesse processo. Um tem a ver com o meu mercado de trabalho, o fotojornalismo, que sofreu com o deslumbre pelas ferramentas do photoshop e teve fotógrafos sendo editores de arte e editores de arte fazendo imagens com o trabalho de fotógrafos. Aqui, dentro de um limite, há que se ser radical: o jornalismo tem um objetivo e para isso uma ética, um procedimento. Ponto. Fora desse limite, a fotografia é ilimitada e cobre um universo infindável de propósitos e linguagens.

      Já ouvi que não haveria razão para não se mexer numa imagem na pós-produção, se até o posicionamento ou a lente usada pelo fotógrafo no momento da captura já se caracterizaria como uma interferência no assunto. Acho que isso não tem nada a ver.

      A fotografia, para mim, ainda é o ato de fotografar, o momento da vida entre mim, a camera e o objeto. Com todos os comentários que eu possa acrescentar como autoria. Não acho que isso tenha mudado.

      Só que a transformação digital estendeu esse momento para a pós-produção e muita gente se formou na fotografia com essa forma e compreensão. Isso é assim e é assim que é. Não vejo preconceito nisso. Mas sinto preconceito quando não aceitam que eu goste de viver em outro mundo e esse é o mote do post neste blog, que não é sobre técnica. É uma forma (debochada, reconheço) de questionar o porquê das mensagens terem a mesma roupagem, como se só assim pudessem ser aceitas.

      O trabalho de vocês na Cia de Foto é bacana, como já tive oportunidade de dizer. Tratar desse tema aqui, tão longamente, me faz sentir que há um incômodo recorrente com o assunto. Para mim é uma questão de esclarecer formas de ver o trabalho criativo e engajado.

      Um grande abraço para você e todos aí.

      PS: Olha, eu procurei a palavra censura no post e não a encontrei. Se eu fizer isso até comigo mesmo, chame minha atenção.


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