Voltando Para Todos os Lados

6 Janeiro 2009

Foi promessa de uma apresentadora de tv: queria mudar a vida e dar uma guinada de 360 graus. Maldosos não quiseram entender tal mudança radical e riram com fastia.
Realmente, se ela fosse afeita a catetos e hipotenusas saberia que ia parar no mesmo lugar.

Sair de um lugar e ir para outro é questão de modo. O jeito de nos levar é fundamental. Assim é que a fotografia nos leva. E guinadas de 360 º, diferentemente da bela apresentadora, podem nos levar a muitos lugares de forma espetacular. Como nas imagens 360 e panorâmicas de alta definição.

Procurando formas de apresentar fotos na internet assisti a vários trabalhos destes. Um monte de gente produz coisas legais. O excelente blog de Alexandre Belém inclusive tratou do assunto essa semana.

Achei até um vídeo 360 sensacional: o carro vai andando e você gira a câmera para onde quiser.

duduEm São Paulo tem um cara chamado Dudu Tresca, que tem seu site br360 cheio de projetos, de comerciais a autorais, com uma visão pessoal, votado para pessoas e comportamento. Mesmo com as piruetas que a navegação promove, seu trabalho não é só uma guinada. Dudu se expressa em 360 º.

Ele começou há cerca de 8 anos e deve fazer seus trabalhos com certa agilidade. Softwares modernos, ponto nodal e pontos de controle fazem o serviço. É assim para todo mundo.
Depois vem o olhar diferente. Fotografia é assim.

A inspiração de Dudu vem dos trabalhos excepcionais do fotojornalista belga Mickael Therer, como o sobre a malária na África. Outros profissionais também usam a técnica no jornalismo.

Na primeira vez que vi um projeto como esse, há 3 anos, impliquei com a utilização em jornalismo por causa do excesso de tratamento que os projetos sofrem, inclusive fazendo o fotógrafo desaparecer. Continuo implicando com este sumiço de tripés e autores, mas entendendo melhor  o processo e acho que sua aplicação é muito interessante para a nova mídia que é a internet.

Concessões, sim – ou outra palavra. A gente vai se movendo. Sem tanta radicalidade em guinadas porque isso seria só força de expressão, como se usa por aí.

Fazer ações que “caminham paralelamente”, por exemplo, também não nos levam muito longe. Afinal, linhas paralelas nunca se encontram.

Links citados:
http://www.coolview.com.br

http://www.br360.com.br

http://www.walkingwithaids.info

http://www.fightingmalaria.info

http://www.cornflex.org


A História Eletrônica de Uma Eleição

9 Novembro 2008

O Picturapixel – nossos “sócios” – já publicou.

Para quem gosta e acredita em multimídia. Para quem quer saber a história resumida da campanha de Barak Obama à presidência dos EUA (link na imagem).

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Tá certo que vem do The New York Times, que quer ser integralmente um jornal na internet e para isso aposta alto. Mas quem quiser contar histórias com a ajuda de novas mídias, tem que começar a produzi-los.

Ricardo Gandour deveria assistí-los.


Receita de Bolo Antiga. Gosto de Mídia Nova

6 Novembro 2008

A eleição de Barak Obama nos EUA nos coloca diante da nova ordem geopolítica mundial do século 21. Como testemunhas históricas, de madrugada assistimos a tudo através das mais diversas mídias disponíveis. Não falamos apenas da internet, mas também da tv, do rádio, dos impressos, que, contrariando as previsões – que em todos os tempos previam o definhamento das mídias estabelecidas em razão das inovações tecnológicas – souberam se reinventar e não sucumbiram como se era esperado.

Nos nossos dias, a internet é a devoradora de meios, responsável por tudo o que há de bom e de ruim para ser consumido, dominando a audiência fascinada por espelhos, perfumes, iguarias e banners piscando.
Aqui precisamos chamar um analista mais sério para decifrar esse momento, que é o do estabelecimento de uma nova midia.

Num café da manhã para jornalistas e profissionais ligados à comunicação corporativa, Ricardo Gandour, Diretor de Conteúdo do Grupo Estado, fez observações sobre como o amadurecimento da internet como meio de comunicação está se dando.

As preocupações de Gandour não são novas na imprensa. Dizem respeito à qualidade e credibilidade de conteúdo na web, em contraponto à ameaçadora ausência de critérios para publicar notícias na rede. Pode-se “ler” em letras miúdas uma crítica ao estilo blogueiro de vida – embora ele a negue.
Em suas comparações entre o produto que é feito para o jornal impresso e para o portal do Estadão, ele enfatiza que as cobranças são exatamente as mesmas: “Não existe o jornalismo mais responsável e o menos responsável; importa o bom jornalismo. Não tratamos a internet como um ambiente menos compromissado”.

Para Gandour, o encantamento inicial que se tem com novas mídias vem do vislumbre das possibilidades que els apresentam como inovação. Aí, sua aceitação para consumo por parte do usuário é testada sensorialmente e, depois, adquiri estabilidade, com a inclusão de valores da sociedade ao seu conteúdo.
Daqui seguimos com a mensagem principal de Gandour para sua audiência matinal: a idade eletrônica da razão está chegando com uma preocupação para com estes valores.
Podemos pensar que não poderia ser diferente para o diretor do grupo jornalístico que tem demasiados valores em seu DNA, mas Gandour distribui suas críticas ao próprio mainstream, que segundo ele passou um tempo desaprendendo como se faz jornalismo; abriu mão de conceitos jornalísticos e também de valores sociais e individuais. Ele acha que isso está sendo reconstruído e estes clássicos conceitos e valores estão sendo recuperados para o estabelecimento de uma nova era na comunicação.

O que parece estar deslocado de contexto é quando ele faz interessantes analogias de rádio-escuta com captura robotizada de notas de sites; da edição de imagens de tv distribuídas por agências com o extinto telex; e fala da recuperação da diagramação atribuindo importância a assuntos no site, em detrimento de blocos padronizados com “empilhamento” de chamadas (nesse momento, não por acaso, ele acessa o UOL).
Mas tudo tem a ver no raciocínio do engenheiro que se formou jornalista e estudou em Stanford. Para manter o crescimento do portal, que ano passado tinha 18 milhões de acesso ao mês e em outubro deste ano alcançou a marca de 94 milhões de visitas, ele promove uma gestão de talentos para o exercício da edição, que é escolher e decidir, como sempre foi, para o jornal impresso e para a internet.

Não é só por um áudio, nem por um vídeo no ar. Tem o conjunto, as decisões na reunião de pauta da manhã e nossas escolhas na edição”.

E como formar o reportariado para a missão multimidiática? Para ele, a imagem do repórter com bloco, gravador, câmera e capacete com filmadora está superada. Lá eles formam profissionais, contratam editores, têm um estúdio de tv na redação, estações de edição….putz, será que ainda cabe mais gente naquele prédio da Marginal?

Esse não parece ser um problema para Gandour, que defende estar a saúde financeira de uma empresa jornalística diretamente ligada à sua autonomia. O problema é que para se trabalhar bem é necessário formar o profissional, que “precisa ler mais, estudar mais, se especializar. E isso tem custo“.

É o custo de um bom conteúdo.