NYT Aplica o Manual e Tira Ensaio do Ar

13 Julho 2009

Bastou Michele McNally citar o manual de ética do New York Times (ver post anterior) para logo ter onde aplicá-lo.

Depois de ter a confirmação de que um trabalho encomendado ao fotógrafo português Edgar Martins continha fotos com “alterações digitais, aparentemente por razões estéticas” , como diz a nota do editor do NYT, o jornal tirou-as de seu site.

Quem tem a versão impressa da The Times Magazine On Sunday do dia 05/07 ainda poderá ver o ensaio sobre grandes projetos arquitetônicos abandonados por causa crise, que Martins produziu em 21 dias de viagem pelos EUA.

Embora alguns sites citem declarações de Martins afirmando que não interfere em fotos, para o jornal português Público ele disse que o problema foi do “NYT ter vendido a história como vendeu”; reafirma não haver manipulado imagens, mas acrescenta: “sabia que ia desafiar as convenções do jornalismo. Eu não fui para observar, fui para comentar”.

Em seu papel, Martins tenta justificar uma suposta travessura com um desafio que não é novo. Mexer em fotografias documentais se tornou aceitável em diversos níveis. Muitos profissionais acham natural por não haver um limite estabelecido e, lembremos, não obstante o problema tenha ocorrido numa revista, não no jornal. Para muitos isso é uma grande diferença. Por quê?

Por um certo tempo a Folha de S. Paulo parecia estimular fotógrafos a transformarem suas imagens, sem indicar a artimanha ao leitor. Arte e Fotografia sentavam na mesma mesa.

O NYT, entretanto, aplicou seu manual. E poderia ser diferente? Na catalogação do que é permitido ou não de imagens jornalísticas, eles assumem que “imagens em nossas páginas, em papel ou na web, que pretendem retratar a realidade, devem ser verdadeiras em todos os sentidos”.

E essa orientação, de tão óbvia, não me parece ser diferente de outros jornais no mundo.

Seria como ser multado em outro país e argumentar que na sua cidade uma placa com bordas vermelhas e um 100 escrito no centro não significa o limite de velocidade.

Nessa conversa de que a fotografia jornalística mudou e existem interpretações do real, os limites não se alargam, são degradados; porque documentação é uma linguagem flexível mas não pode ser alterada criativamente para se tornar outra.

O NYT quer proteger sua cara legitimidade porque é disso que ele vive e se essa intransigência não for apliacada, vira festa do caquí . Os jornais daqui também vivem disso, mas às vezes dão sua interpretação livre. Por isso que por mais que se tenha boa vontade, tem jornal que se lê e ainda fica a dúvida se o que está escrito é verdade.

O fato interessante do caso foi que o descobridor da manipulação das imagens, segundo o Público, foi Adam Gurno, um leitor. Sobrou para Edgar Martins.


Economia Mundial que Perpetua a Miséria

26 Novembro 2008

O texto a seguir não trata de fotografia – diretamente – mas me sinto comprometido a publicá-lo, pela amplitude que um blog deve ter e pelo que devemos considerar como voz que pode ecoar, em algum lugar, de alguma forma.

Como ele circula pela internet, outros blogs também devem tê-lo publicado. É atribuído ao diretor de criação e sócio da agência Bullet, Mentor Muniz Neto, e trata das muitas crises mundiais. O autor pode não ser ele, mas, e daí?

“Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa *) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.”

* Aos 2,2 trilhões de dolares deve ser somado o pacote lançado pela China em 10/11 de 586 bilhões de dolares.

Nos falamos a seguir.


Anarquia Contra o Desrespeito

1 Agosto 2008

Novo áudio slideshow, com uma cara diferente – tento convencer uma amiga que essa mídia é ótima para dar voz a quem tem o que reclamar.

Carrega um tom um pouco anárquico, um ato que sugere a sociedade auto-governante, com direitos e respeito mútuo num sistema sem autoritarismo.

É claro, utópico. Mas quem vive em São Paulo tem que acreditar ou praticar. Sem muita ajuda de corpos consulares, mas talvez aplicando uma espécie de jornalismo social vigilante. Um estágio iniciante do jornalismo cidadão.

Link na imagem ou aqui.


O Que é Jornalismo Cidadão?

23 Setembro 2007

Mais um empreendimento visual lançado na web: o videojornalista Michael Rosenblum se juntou a Ken Krushel para fundar The CitizeNews, uma rede de videomakers e jornalistas baseada no jornalismo cidadão. Mas vamos mais adiante para que não seja confundido com o que se conhece por aqui.

A idéia principal foi traduzir para o vídeo a experiência do OhMy News, do coreano Oh Yeon-ho, mas o site é ambicioso ao anunciar seu objetivo de “construir uma plataforma digital onde vídeojornalistas narrem seus mundos do jeito que eles mostrem sua gente, seus assuntos, acontecimentos e personalidades”. Enquanto captava fundos para CitizeNews, Rosenblum – que parece ter um conglomerado de iniciativas em atuação – diz que tinha que provar que “há gente inteligente fora do sistema, com idéias e histórias importantes… e com câmeras e laptops.”

Iniciativas como essas são críticas com relação ao jornalismo praticado nos dias de hoje. Agora que existe uma rede eficiente como a internet para ecoar discussões que não interessam à grande imprensa – talvez porque ela se interesse apenas pelo que é grande ou talvez porque simplesmente não se interessa – existe um canal aberto para a comunicação e troca dos que vêm notícia na singularidade.

CitizeNews critica os meios “estáticos, chatos e previsíveis”. Para eles, “o noticiário está moribundo”.