Archive for setembro \30\UTC 2007

Emmy para Áudio Slide Show

30 de setembro de 2007

Olivier Jobard faturou mais um prêmio com seu trabalho sobre um imigrante camaronês que entra ilegalmente na comunidade européia. Dessa vez foi o News & Documentary Emmy, na categoria “Documentário/Não Ficção para Internet”, pela produção da MediaStorm, Kingsley Crossing. Essa é uma das quatro categorias do Emmy criadas exclusivamente para a internet.

Jobard começou seu trabalho sobre imigração em 2001 e desde 2005 é premiado pela história do jovem Kingsley, que, para chegar à França através da Espanha, cruza o continente africano inteiro e vê seu bote cheio de buracos ir à pique em uma das tentativas de enfrentar o mar até as Ilhas Canárias.
O Áudio Slide Show da MediaStorm é espetacular, assim como outras produções onde a equipe de Brian Storm põe a mão.

Mas também vale a pena ver o formato de outro finalista: Being a Black Man, uma série do Washigton Post em um projeto envolvendo seu site e o jornal impresso.

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Quando se Quer Ver

28 de setembro de 2007

No dia em que eu recebi uma pauta para fotografar placas de ruas do centro, sugeri que eu também fizesse outras imagens, cenas, pessoas, etc. Tudo bem, mas o necessário era ter as placas. Antes mesmo que buracos de rua deixassem de ser o estereótipo da pauta “furada” (hoje em dia os buracos engolem carros e caminhões) achava que nenhuma pauta poderia ser desprezada. Mas placas de rua….

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Fui compensado com a encomenda da possível capa do caderno sobre o centro de São Paulo, que deveria ser uma imagem noturna, em algum ponto ao redor do Viaduto do Chá e do Teatro Municipal. Encontrei uma menina que alternava seus cigarros, sentada sobre a mureta acima do chafariz da Praça Ramos, com o orelhão da esquina, tomada pela impaciência de uma aparente longa espera, mas tranqüila para começar uma noitada pré-feriadão com um estranho fotografando sua figura no meio de uma paisagem realmente escura.

Não sei onde errei, se no descompromisso ou na obrigação, mas quando fui vender meu peixe noturno, a placa de rua já tinha conquistado os editores. Apesar da insistência, não teve jeito. Na segunda-feira lá estava uma placa e alguns prédios na capa do caderno.

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Aqui computamos uns 90% para uma decisão (dos editores) e 10% para o acaso de achar uma foto boa na pauta ruim. Seria bom acordar sempre de bem com o acaso, mas é impossível saber de onde sai uma boa foto. A imagem mais reproduzida do mundo é Che Guevara de Alberto Díaz Gutiérrez – Korda – tirada em uma cerimônia oficial, durante o discurso de Fidel Castro. São dois fotogramas. Vera Sayão, fotógrafa carioca, ganhou uma cópia do próprio Korda. Me lembro um pouco da imagem sem contraste e umas folhagens ao fundo. O rosto entrando no quadro está no negativo mas não na cópia de Vera. É emocionante ver um original como este.

Mas isso é só uma boa lembrança. O assunto tem mais a ver com a tese de Aguinaldo Ramos, já comentada neste blog.

Sobre as fotos da placa e da moça, estão aqui mais porque esse blog estava precisando de umas fotos, não é mesmo?

O Que é Jornalismo Cidadão?

23 de setembro de 2007

Mais um empreendimento visual lançado na web: o videojornalista Michael Rosenblum se juntou a Ken Krushel para fundar The CitizeNews, uma rede de videomakers e jornalistas baseada no jornalismo cidadão. Mas vamos mais adiante para que não seja confundido com o que se conhece por aqui.

A idéia principal foi traduzir para o vídeo a experiência do OhMy News, do coreano Oh Yeon-ho, mas o site é ambicioso ao anunciar seu objetivo de “construir uma plataforma digital onde vídeojornalistas narrem seus mundos do jeito que eles mostrem sua gente, seus assuntos, acontecimentos e personalidades”. Enquanto captava fundos para CitizeNews, Rosenblum – que parece ter um conglomerado de iniciativas em atuação – diz que tinha que provar que “há gente inteligente fora do sistema, com idéias e histórias importantes… e com câmeras e laptops.”

Iniciativas como essas são críticas com relação ao jornalismo praticado nos dias de hoje. Agora que existe uma rede eficiente como a internet para ecoar discussões que não interessam à grande imprensa – talvez porque ela se interesse apenas pelo que é grande ou talvez porque simplesmente não se interessa – existe um canal aberto para a comunicação e troca dos que vêm notícia na singularidade.

CitizeNews critica os meios “estáticos, chatos e previsíveis”. Para eles, “o noticiário está moribundo”.

Uma Nova Versão

21 de setembro de 2007

Foi publicada esta semana a nova redação do código de ética do jornalista, três anos após iniciada a discussão. Os cinqüenta itens, dezenove artigos e quatro parágrafos distribuídos por cinco capítulos foram compilados no congresso extraordinário realizado em agosto, depois de consultas a um monte de gente. Este longo documento reflete a participação do conglomerado: entre artigos com títulos de manuais (É Dever do Jornalista – O Jornalista Não Pode – O Jornalista Deve – O Jornalista Não Deve), alguns itens tratam de boas maneiras (“O jornalista deve manter relações de respeito e solidariedade no ambiente de trabalho”) ou de direitos civis (“É dever do jornalista defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias”).

Digamos que é sempre bom lembrar bons valores em uma sociedade que convive com maus exemplos diariamente, mas existem condutas universais, que não são exclusivas de jornalistas. Ficou um pouco redundante, mas o documento é uma referência importante.

Diferente da versão anterior, há uma clara referência à fotografia e ao vídeo, no artigo 12: “O jornalista deve rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade (sic), sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer outras manipulações”. Ainda é amplo. Há alguns meses a Associação Americana de Fotógrafos Profissionais (NPPA) também incluiu a manipulação de imagens em um novo código de ética, por conta das novas tecnologias. É outra referência para profissionais.

Entretanto, para os que não quiserem adotar nenhum dos dois, as punições não têm a menor importância (aqui, eles seriam excluídos do sindicato), até porque para esses, não há manual que os guie.

Ensaio Sobre o Emprego

15 de setembro de 2007

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Tem áudio slide show novo no site: a revista Digesto Econômico publicou uma edição sobre emprego e quando começou a estudar como ilustrá-la, o escritório propôs que se fizesse um ensaio em preto e branco. Não fui a todos os lugares que queríamos, mas a pauta era muito aberta e, convenhamos, o tema é assunto para uma vida inteira.

O texto do professor da USP, José Pastore, é bem interessante, principalmente quando cita as mudanças que o trabalho sofreu nos últimos anos. Em certo momento ele escreve: “A produção de hoje é realizada por uma constelação de empresas e profissionais muito bem articulados entre si e que formam redes de colaboradores. São as redes – e não as empresas – que competem no mercado.”

Não sei se insisto no mesmo mantra. Parece muito claro que as nossas relações de trabalho na fotografia estão em franca transformação há algum tempo. Talvez a gente misture o momento em que ela começou porque tivemos muitos detonadores, mas isso já não tem tanta importância.

Além do mais, não somos os únicos a nos preocuparmos com as mudanças na profissão, como demonstra, na publicidade, a formação de uma chapa de elite para o Clube de Criação. Mas esse assunto fica para o próximo post.

A História Que a Foto Faz

8 de setembro de 2007

Você acredita estar criando um documento histórico ao fazer uma foto? Que fatores posteriores – edição, paginação, legenda – contribuem para que essa historicidade tome o rumo certo e a foto assuma tal status ao ser publicada? Esse valor se altera com o tempo?
Estas são algumas das questões apresentadas no trabalho A História Bem na Foto: Foto-Jornalistas e a Consciência da História, tese que Aguinaldo Ramos produz no Programa de Pós-Graduação em História Comparada, no IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais), UFRJ. Há outras, mas Aguinaldo, ele mesmo um fotógrafo que trabalhou em jornais e revistas entre 1977 e 1990 – ele começou muito cedo 😉 –, as preserva para a publicação de sua pesquisa. Mas dá para se ter uma idéia visitando seu blog com os depoimentos de fotógrafos convidados pelo autor. Cada foto-jornalista conta sua experiência, mostra uma de suas fotos e narra o motivo pelo qual a considera histórica, respondendo a algumas das questões colocadas por Aguinaldo. A minha é essa, publicada abaixo.

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Dunga, com Romário, levanta a taça na conquista do pentacampeonato, nos EUA, 1994 

Escrever o texto me fez lembrar da foto mais estressante que já tive que fazer. Mais ainda, me lembrei da Copa seguinte, na França, que também cobri, e ficava imaginando que essa foto aí, tão publicada, já não teria a mesma importância se o Brasil ganhasse e Dunga levantasse a taça para uma imagem mais recente.
Embora a importância histórica da imagem do capitão vibrando com a Copa ao lado de Romário esteja gravada no seu DNA – como em grande parte das fotos jornalísticas, ela não é o que chamamos de ícone, aquela imagem que fica gravada em nossa memória, como a do chinês tentando interromper os tanques na Praça da Paz Celestial, como lembra Antônio Scorza no seu texto, e, para ficarmos no assunto futebol, como o menino chorando a derrota do Brasil na Espanha, em 1982, de Reginaldo Manente.

barcelona21.jpg reprodução Jornal da Tarde

O que faz uma foto ser histórica e completar sua escalada ao pedestal de ícone não deve ser definido facilmente. Tantos são os fatores na engrenagem editorial para sua publicação, quantas são as variáveis para que o momento que ela representa seja especial ao senso comum.
É de tudo isso que Aguinaldo trata em seu trabalho. Acho.

A História Bem na Foto