Repensando Sem (Tanta) Pressa

Embora demorada sua publicação, o post sobre Annie Leibovitz foi escrito às pressas, entre uma crise de hérnia de disco e um feriado prolongado. Não era para ser apenas graça ou curiosidade. O principal dos vídeos no YouTube mostra muito do que envolve o magistral momento de um retrato desde quando ele se inicia, que neste trabalho de Annie Leibovitz poderia ser sua visita às locações do Palácio de Buckingham, 10 dias antes da foto.
Já neste dia ela se encontra com a assistente de Elizabeth II, sua emissária oficial de pedidos, inclusive das solicitações de roupas.

Como a primeira impressão é a que vale, em sua chegada ao set a Rainha deveria ter a recepção que demonstrasse a importância do momento. Um séquito de 11 assistentes, enfileirados, especialmente escolhidos e muito bem vestidos são apresentados e a mensagem é que algo de especial vai acontecer; “e tudo será feito com muito carinho”, remete o ato da filha de Leibovitz lhe oferecer um bouquet de flores. Elizabeth, acostumada a outras fileiras e sem perceber na pequenina americana a leve flexão que crianças inglesas aprendem desde pequenas a fazer diante da monarquia, não parece se impressionar e diz que tem pouco tempo. Foram 30 minutos de trabalho intenso, com direito ao pedido de repetição de um set – Leibovitz alegou ter cometido um engano –, atendido por Sua Alteza.

Leibovitz pesquisou em vários livros sobre vestimentas e jóias da Rainha e quis incluir tudo. Na hora da foto ela preferiu a monarca “less dressy”.
No post anterior, me referi atravessadamente ao pedido para que a Rainha tirasse a coroa, que era uma tiara (tanto faz; só faz diferença para inglês). Era, na verdade, a dança de fotógrafo e fotografado, a relação que se iniciava e que iria repercutir por toda a sessão e no resultado final (considerado por Leibovitz um tanto frio, documental). É algo como o termômetro, o limite, ou seja lá como se quiser chamar. Isso está em quase todas nossas fotos de pessoas, só que não precisamos dar tanta importância algumas vezes.

Sempre me vem à mente a foto de Winston Churchill feita por Yousuf Karsh, quando o estadista preparou a pose que queria fazer, com seu charuto na boca. Karsh deixou a camera no tripé, foi em sua direção e arrancou o charuto de Churchill.

A foto deve ser a mais conhecida de fotógrafo, e também do fotografado.

churchill.jpg Winton Churchill, por Yousuf Karsh

Cada foto, uma vida, uma história.

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