Archive for julho \31\UTC 2008

Serviços Velozes e Preços Furiosos

31 de julho de 2008

Quando a gente fala de navegar em banda larga, é como falar sobre câmeras digitais: estamos satisfeitos com nossos 10 mpixels, mesmo sabendo que existe a mais nova com 16 mpixels (falando de pequenos formatos).

Para quê uma banda larga de 8 Mbps?

A GVT, que atua em telefonia de alguns estados do país, está oferecendo o Turbonet MEGA MAXX, banda larga com velocidade de até 20 Mbps. Um exagero? Realmente, tem que assisitir a muitos vídeos para compensar os R$ 500 mensais (valor em Curitiba).

Mas não se engane que esse serviço não tenha utilidade para seu negócio com fotografia. O relacionamento entre fotógrafos e clientes muda; muda também o do fotógrafo e sua produção. As soluções oferecidas para o mercado, se é que você ainda não reparou, envolvem soluções web. Não ocorre apenas na fotografia e vai além de se postar uma foto no blog à partir do seu celular (embora, para mim, isso já seja impressionante).

Uma empresa chamada SugarSync oferece isso. Aliás, oferece bem mais: o serviço sincroniza o seu computador de casa com o do trabalho, não importa a plataforma (Mac ou PC). Para isso, você indica ou cria as pastas que devem ser sincronizadas. Enquanto você estiver online, as pastas vão sendo atualizadas em tempo real. Isso quer dizer que se você estiver escrevendo um texto no seu laptop, na praia, em um arquivo dentro de uma pasta sincronizada, quando você salvar o doc, ele já mudou no desktop de sua casa, no Sumaré.

Aplicado à fotografia, se você quiser sincronizar pastas ou até mesmo seu arquivo inteiro, você pode. E se quiser ver tudo isso remotamente, de outro computador, o SugarSync lhe dá um endereço onde você tem acesso a todo o material na internet. De lá você pode compartilhar pastas (como se faz no GoogleDocs) e álbuns de fotografia inteiros, com direito a download de fotos em alta. Um ótimo backup.

Quem é mais ligado já sacou que isso é um FTP sofisticado, com interface e programação. E essa é toda a diferença. Uma solução web, como é o DigitalRailRoad para bancos de imagens. Tecnologicamente tem a diferença de, até onde eu sei, o DRR não poder ser gerenciado pelo seu celular. No SugarSync, longe de casa ou do escritório, você manda uma foto para seu cliente.

É claro que vai depender da sua empresa de telefonia móvel. Para sincronizar pastas de fotos no SugarSync você também vai precisar de uma boa velocidade. Planos de 1 Mbps – com baixas velociadade de upload – não dão conta. De 2 Mbps, também não. Para se ter uma idéia, 100 Mb de fotos, com uploads a 280 Kbps, serão mais de 6 horas de tráfego. Vale a pena editar.

Em São Paulo não tem GVT. Mas, se tivesse, como é que se repassa o custo de 20Mbps? Bem, isso já tem que ser em outros posts.

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Um Mestrado de Muitos Mestres

25 de julho de 2008

A História Bem na Foto: Foto-Jornalistas e a Consciência da História, dissertação de mestrado de Aguinaldo Ramos, já foi assunto deste blog. Há uma semana aconteceu sua apresentação, no IFCS, da UFRJ. Depois de pouco mais de 3 anos, o trabalho que consumiu 200 páginas em espaço 2, foi aprovado.
Regina Maria da Cunha Bustamante, uma das doutoras da banca, o considerou “um desafio e uma subversão aos parâmetros teóricos acadêmicos, mas uma contribuição instigante que vem ao encontro do que a história vem buscando”.
Aguinaldo juntou Paul Veyne, Antonio Gramsci e o depoimento de mais de 30 fotógrafos para discutir as intenções ou ilusões que o fotógrafo tem de sempre tentar produzir uma foto que se torne um documento histórico, e categorizar as imagens quando isso efetivamente acontece.
A idéia vem da própria vida profissional do novo mestre e experiente fotojornalista, sempre na obrigação de fazer a foto surpreendente, emocionante. Em suas palavras, “transcendental”.

Não li o trabalho inteiro, mas acessei o blog (link aqui e nas fotos) que ele criou com os depoimentos dos 33 fotógrafos. Aí, então, ao mestre Aguinaldo juntam-se outros mestres. O que se lê – e vê – ali já seria o suficiente para emocionar acadêmicos, diletantes e auto-didatas. Seguem-se, um após outros, depoimentos de profissionais que fizeram história na imprensa brasileira. Só de prêmios Esso, têm 5 ou 6.
Walter Firmo, Luiz Morier, Américo Vermelho, Custódio Coimbra, Januário Garcia… putz. Com o perdão da palavra, é do cacete!

João Roberto Ripper conta como se tentava contornar a diretriz de O Globo contra a campanha das Diretas Já, Sérgio Araújo narra a emocionante história da mulher que se jogou do edifício Andorinhas em chamas, e Evandro Teixeira diverte com a deliciosa história da foto de Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius de Moraes deitados numa mesa de bar.

Aguinaldo, o Guina, parece ele mesmo saído de um samba bossa nova: não vai muito ao cinema, não vai mais a Ipanema, não gosta de chuva nem gosta de sol. Mas gosta de samba e, rubronegro, pelo menos vai ao Maracanã; não aos jogos, mas para umas caminhadas ao redor do estádio com a namorada, Márcia.

Seu depoimento me fez lembrar de uma conversa há anos, na Fotossíntese do Rio, quando ele me ensinava como fazer a fotometragem da luz, que eu não media direito. Comentou que trabalhou quase um ano com o fotômetro da Nikon F3 do Jornal do Brasil quebrado, e nem por isso deixava de fazer suas duas ou três pautas por dia.

Tudo isso é um tempo passado, que eu não vivi muito, mas que ainda emociona e surpreende, assim como Aguinaldo sempre quis suas fotos: “transcendental”.

PS: Inadvertidamente mandei um depoimento ao Guina, porque achei estar colaborando com um amigo. Leve engano. Estar no meio de nomes como os que citei é algo que só pode trazer orgulho, mas os elogios acima devem ser reservados a esses fotógrafos, que fizeram a história da fotografia e do país.

We had a bad day when Dolly was cloned

17 de julho de 2008

Jennifer Anderson, uma jovem atriz do Oregon que inicia seu curso de psicologia em Berkeley daqui a um mês, posou para Doug Menuez há alguns anos, tendo como cenário uma universidade americana. Foi seu primeiro trabalho como modelo e ela nem sabia o que significava “imagens royalty-free”.
Depois que essas fotos ilustraram propagandas de duas concorrentes do mercado de pcs e outros incontáveis e mais variados anúncios e publicações (incluindo capas de livros, veja a lista aqui), Jennifer ficou famosa como The Everywhere Girl. Uma história incrível de super exposição que a fez criar um blog e até uma linha de roupas com uma das fotos estampada.
Só a Getty-Images deve saber quantas vezes suas fotos – tiradas para banco de imagens em um dia de sessão – foram vendidas. Mas nem a Getty sabe o porquê tantos querem tanto a mesma imagem.

Imodesta, Jennifer está surpresa por só agora a Slate tê-la descoberto.
Na verdade, o colunista da revista eletrônica, Seth Stevenson, escreveu sobre como os grandes bancos de imagens planejam seus arquivos, antevendo modas e comportamentos. À partir dessa matéria-prima é que surgem muitas das inspirações de agências de publicidade.

Por aqui também se produz material exclusivo para bancos de imagens – talvez não com a força de ditar comportamentos futuros – mas o bruto me parece sair de sobras de trabalhos que não serviram a clientes com suas violentas cessões de direito autoral, ou de pequenas fugas de roteiros de trabalhos. Quem já teve que procurar uma situação com personagens de feições “abrasileiradas” sabe o quanto isso é difícil.

Num banco como a Getty o negócio é pesado. Stevenson conversou com Denise Waggoner, vice-presidente de pesquisa criativa da empresa e responsável por prever e produzir o que será vendável. Ela confessou que seu departamento não acompanhava muito os estudos sobre biotecnologia no mundo (!), até que surgiu a ovelha Dolly e o que todos queriam publicar era a ovelhinha escocesa, com um fundo recortável.
“Tivemos um dia bem ruim quando Dolly foi clonada”, diz Denise.

Na misturada de assuntos do artigo, este é o principal. Produzir para banco de imagens pode ser lucrativo, se planejado e conceituado. Stevenson dá a pista de que a tendência dos últimos anos é de imagens de gente comum, como um testemunho da autenticidade de pessoas reais.
Talvez seja esse o mistério da Everywhere Girl, reproduzida tantas vezes, muitas e muitas vezes mais que a Dolly.

Na montagem dos anúncios abaixo, o link para as fotos na Getty.

PS: Nem deu espaço de falar de Doug Menuez. Mas isso é muito mais difícil. Veja o seu site.

Fotografia de início, meios e fins

11 de julho de 2008

Este blog tenta publicar bons exemplos de trabalhos online. Assim como ainda há muitos a serem conhecidos, reconheço também que tem muita coisa ruim pela internet. Mas essa é a força da web: dar espaço democrático para quem quer mandar sua mensagem. É o sucesso dos blogs.
Um fotógrafo, por exemplo, só não tem seu site, galeria ou Flicker se não tiver o que dizer, o que mereceria uma reflexão sobre seu próprio trabalho.

Fico bastante animado quando gostam de nossos áudio slideshows. Ainda acho que as possibilidades são muitas e variadas. Veja, por exemplo, o que outro grupo ativo em multimídia faz, o Garapa, formado por três fotógrafos jovens, cheios de idéias e engajados: um é blogueiro assumido (e não tímido, como eu), outro atua em ong para a educação de crianças.
Entre uma pauta e outra para a Folha ou para a Editora Abril, lá vão eles criar um projeto pessoal, usando soundslides, quicktime ou finalcut. Eles fazem parte de um grande grupo que aproveita as ferramentas disponíveis na internet. Oferecem conteúdo.

Bom conteúdo sempre foi o fator que diferenciou produtos intangíveis, mas, por um breve período, se imaginou que o simples fato de se estar com boa tecnologia na internet já definiria a morte de jornais e revistas impressos. O relatório The State of the News Media de 2008, decifrado por Eugênio Bucci há meses atrás, coloca pingos nos “is”: a mídia tradicional ainda é bem consumida e os sites de maior audiência são os que têm como endereço os grandes títulos do jornalismo, como CNN e New York Times. Não acho que no Brasil seja diferente.
É a credibilidade da marca, que se constrói.

O importante é partir de algum lugar para se começar essa construção. É o Garapa, o Fotogarrafa, o e-SIM e outros grupos se organizando e formando profissionais. Pode ser materializado num site, no Flicker ou num blog, mas fundamentalmente começa dentro de cada fotógrafo.

50 Megapixel de Hassel!

10 de julho de 2008

Se algumas agências de publicidade já exigiam de profissionais equipamento como a Hasselblad por seus 39 megapixel, elas agora podem ser mais exigentes. A empresa promete para outubro o lançamento da H3DII-50 (foto), que faz arquivos de 50 megapixel utilizando um sensor Kodak.

A “pequena” desvantagem é que ela faz uma foto por segundo e cada uma delas pode ocupar 300 mb no seu cartão, se é que alguém vai sair com ela por aí, ao invés de plugá-la num laptop.
Valor previsto: em torno de US$ 37.000, nos EUA, ou £21.995 no Reino Unido.
Os vendedores da Hassel chegam ao Brasil semana que vem, e só então será definido o valor em reais, mas que deve girar lá pelos R$ 115 mil (já com impostos).
Até que não ficou tão caro (pra quem pode), considerando que a versão H3DII de 39 mpixel custa R$ 106 mil no revendedor autorizado T.Tanaka. Só ano passado foram vendidos 98 conjuntos.