Archive for novembro \26\UTC 2008

Economia Mundial que Perpetua a Miséria

26 de novembro de 2008

O texto a seguir não trata de fotografia – diretamente – mas me sinto comprometido a publicá-lo, pela amplitude que um blog deve ter e pelo que devemos considerar como voz que pode ecoar, em algum lugar, de alguma forma.

Como ele circula pela internet, outros blogs também devem tê-lo publicado. É atribuído ao diretor de criação e sócio da agência Bullet, Mentor Muniz Neto, e trata das muitas crises mundiais. O autor pode não ser ele, mas, e daí?

“Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa *) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.”

* Aos 2,2 trilhões de dolares deve ser somado o pacote lançado pela China em 10/11 de 586 bilhões de dolares.

Nos falamos a seguir.

Soundslides no YouTube

14 de novembro de 2008

A antevéspera de um jogo contra o Palmeiras para um “decisivo” quarto lugar é o melhor momento para publicar uma elegia ao Mengão. Tudo para secar o Porco. A missão não é fácil.

Depois, ao título.

Entre dificuldades, só mesmo alimentando a crença de torcedor, sempre um homem de fé.

Mesmo que você ache que já viu esse projeto tantas vezes, há um motivo diferente para sua publicação.

Não foi milagre algum passar um áudio slideshow do Soundslides para vídeo, mas dá um certo trabalho procurar as soluções. Deu para publicar no YouTube com uma boa qualidade, embora ainda tenha que aprender como fazer aparecer a opção High Quality na barra do vídeo.

Por enquanto, para ter a alta resolução precisei acrescentar o código &fmt=18 à URL.

O resultado está aí, mas na minha opinião, áudio slideshow não é vídeo e a navegação fica diferente. Parece que perde a emoção ou a contemplação que o navegador solitário da internet tem ao ver fotografias.

O vídeo é dispersivo.

Mas a torcida do Mengão não é, não. Só está espalhada pelo Brasil; mas no domingo vai dar show e tomar o Maracanã. Depois, o título.

Nos vemos na segunda-feira.

Você vem sempre aqui?

11 de novembro de 2008

O Fotoblográfico completou um ano em setembro. Dê a sua opinião sobre ele, para ver se posso tentar mais um aniversário.

A História Eletrônica de Uma Eleição

9 de novembro de 2008

O Picturapixel – nossos “sócios” – já publicou.

Para quem gosta e acredita em multimídia. Para quem quer saber a história resumida da campanha de Barak Obama à presidência dos EUA (link na imagem).

nyt3

Tá certo que vem do The New York Times, que quer ser integralmente um jornal na internet e para isso aposta alto. Mas quem quiser contar histórias com a ajuda de novas mídias, tem que começar a produzi-los.

Ricardo Gandour deveria assistí-los.

Receita de Bolo Antiga. Gosto de Mídia Nova

6 de novembro de 2008

A eleição de Barak Obama nos EUA nos coloca diante da nova ordem geopolítica mundial do século 21. Como testemunhas históricas, de madrugada assistimos a tudo através das mais diversas mídias disponíveis. Não falamos apenas da internet, mas também da tv, do rádio, dos impressos, que, contrariando as previsões – que em todos os tempos previam o definhamento das mídias estabelecidas em razão das inovações tecnológicas – souberam se reinventar e não sucumbiram como se era esperado.

Nos nossos dias, a internet é a devoradora de meios, responsável por tudo o que há de bom e de ruim para ser consumido, dominando a audiência fascinada por espelhos, perfumes, iguarias e banners piscando.
Aqui precisamos chamar um analista mais sério para decifrar esse momento, que é o do estabelecimento de uma nova midia.

Num café da manhã para jornalistas e profissionais ligados à comunicação corporativa, Ricardo Gandour, Diretor de Conteúdo do Grupo Estado, fez observações sobre como o amadurecimento da internet como meio de comunicação está se dando.

As preocupações de Gandour não são novas na imprensa. Dizem respeito à qualidade e credibilidade de conteúdo na web, em contraponto à ameaçadora ausência de critérios para publicar notícias na rede. Pode-se “ler” em letras miúdas uma crítica ao estilo blogueiro de vida – embora ele a negue.
Em suas comparações entre o produto que é feito para o jornal impresso e para o portal do Estadão, ele enfatiza que as cobranças são exatamente as mesmas: “Não existe o jornalismo mais responsável e o menos responsável; importa o bom jornalismo. Não tratamos a internet como um ambiente menos compromissado”.

Para Gandour, o encantamento inicial que se tem com novas mídias vem do vislumbre das possibilidades que els apresentam como inovação. Aí, sua aceitação para consumo por parte do usuário é testada sensorialmente e, depois, adquiri estabilidade, com a inclusão de valores da sociedade ao seu conteúdo.
Daqui seguimos com a mensagem principal de Gandour para sua audiência matinal: a idade eletrônica da razão está chegando com uma preocupação para com estes valores.
Podemos pensar que não poderia ser diferente para o diretor do grupo jornalístico que tem demasiados valores em seu DNA, mas Gandour distribui suas críticas ao próprio mainstream, que segundo ele passou um tempo desaprendendo como se faz jornalismo; abriu mão de conceitos jornalísticos e também de valores sociais e individuais. Ele acha que isso está sendo reconstruído e estes clássicos conceitos e valores estão sendo recuperados para o estabelecimento de uma nova era na comunicação.

O que parece estar deslocado de contexto é quando ele faz interessantes analogias de rádio-escuta com captura robotizada de notas de sites; da edição de imagens de tv distribuídas por agências com o extinto telex; e fala da recuperação da diagramação atribuindo importância a assuntos no site, em detrimento de blocos padronizados com “empilhamento” de chamadas (nesse momento, não por acaso, ele acessa o UOL).
Mas tudo tem a ver no raciocínio do engenheiro que se formou jornalista e estudou em Stanford. Para manter o crescimento do portal, que ano passado tinha 18 milhões de acesso ao mês e em outubro deste ano alcançou a marca de 94 milhões de visitas, ele promove uma gestão de talentos para o exercício da edição, que é escolher e decidir, como sempre foi, para o jornal impresso e para a internet.

Não é só por um áudio, nem por um vídeo no ar. Tem o conjunto, as decisões na reunião de pauta da manhã e nossas escolhas na edição”.

E como formar o reportariado para a missão multimidiática? Para ele, a imagem do repórter com bloco, gravador, câmera e capacete com filmadora está superada. Lá eles formam profissionais, contratam editores, têm um estúdio de tv na redação, estações de edição….putz, será que ainda cabe mais gente naquele prédio da Marginal?

Esse não parece ser um problema para Gandour, que defende estar a saúde financeira de uma empresa jornalística diretamente ligada à sua autonomia. O problema é que para se trabalhar bem é necessário formar o profissional, que “precisa ler mais, estudar mais, se especializar. E isso tem custo“.

É o custo de um bom conteúdo.

1/30000 de Segundo de Um Estouro, Uma Gota ou Um Tiro

3 de novembro de 2008

A Smashing Magazine costuma desejar aos seus leitores uma feliz semana com sua “Monday Inspiration Serie”. Para nós a homenagem veio já neste domingo, com o post Celebration of High-Speed Photography (link no nome e na foto abaixo, de Jeroen Rouwkema).

São imagens espetaculares, feitas com a técnica de altíssima velocidade, para congelar momentos precisos. Todas têm seus links de origem, onde se conhece quem as faz de forma científica, como o Edgerton Center, em Cambridge (EUA); e criativa, como a de Carolyn Rasmussen.

Aos interessados, naveguem até o final, onde a revista publica uma lista de sites relacionados à técnica e, no caminho, assistam a vídeos como esse aqui, com imagens capturadas a uma velocidade de até 12.000 quadros por segundo.