Procura-se Jornal Para Conteúdo Multimídia

Me interesso bastante por multimídias como forma narrativa de reportagem e documentação. Esse interesse, que só cresce, começou com o trabalho produzido pela MediaStorm com fotos e filme de Olivier Jobard sobre Kingsley, um camaronês que fugiu da pobreza de sua cidade, Limbe, para uma nova vida em Paris, através das Ilhas Canárias. Isso tem uns 5 anos.

A MediaStorm tem diversos multimídias de fotógrafos espetaculares e muitos jornais também produziram inúmeros trabalhos com essa linguagem que já foi identificada como uma das mais bem sucedidas transposições de conteúdo jornalístico para a internet. Nos EUA.

Exemplos não faltam. Dos “mega” Magnum In Motion e New York Times, aos locais Tampa Bay Times e The Chronicle .

Não só a forma de contar histórias se torna interessante e emocionante. Trata-se também da investigação da melhor forma de passar a mensagem ao leitor no novo ambiente que é a internet. A nossa implicância, por exemplo, com filmes que são a reprodução da linguagem de tv nas telas de cinema, ainda não foi transposta para a internet, mas será – pela solicitação de interação, por exemplo.

A mídia – e seus usuários – vai definir sua linguagem. Talvez de uma forma conturbada, tamanha é a proliferação de teorias, mas isso só representa o quanto o imprevisível universo da comunicação online está sendo analisado.

Henry Jenkins passa boa parte de seu livro A Cultura da Convergência citando exemplos de experiências transmídias – as que envolvem diversos tipos de participação do público-alvo. É uma reflexão sobre tendências em projetos que atraiam a participação desse público, pela internet. Tudo muito voltado para marketing e business.

O que se procura, segundo Jenkins é aumentar as áreas de contato entre a marca e o visitante consumidor.

Transpondo isso para a área editorial, o desafio se torna descobrir formas variadas, criativas e eficientes de informar e manter o leitor. Essa não é nenhuma conclusão  impressionante, não é mesmo? E talvez prescindisse de tamanho nariz de cera para chegar aqui. Não será nenhuma surpresa, tampouco, se disser que a narrativa de reportagens multimídias preenche estes pré-requisitos.

O que impressiona, realmente, é nenhum site ou jornal brasileiro se interessar em produzir material dessa forma, optando por reproduzir na internet suas versões impressas ou de tv. A maior das participações oferecidas é a postagem de um comentário ou enviar determinado artigo para o Facebook…

O que impede, por exemplo, que a Folha ou o Estadão produzam um trabalho, no Brasil, como o da Magnum http://inmotion.magnumphotos.com/essay/silent-maternal-mortality-india para a Human Rights Watch?

Para uma equipe que passa  uma semana no Rio Negro, duas páginas e a publicação de 5 imagens é por certo um desperdício. Pensar na possibilidade desse material ser plenamente aproveitado, em uma nova e inovadora mídia, que atraia e envolva o público em busca de um bom conteúdo me parece evidentemente bom.

Por que será que isso não acontece?

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