Archive for the ‘Artigos’ Category

A tecnologia de ponta dos celulares

26 de julho de 2010

Há tempos um centro de estudos tecnológicos da Universidade de Stanford pesquisa o código aberto para cameras fotográficas. Isso vai permitir que, por exemplo, a própria camera crie uma panorâmica (o que o IPhone já faz) ou uma HDRImage.

Parecia algo que afetaria o mercado profissional, mas eu acho que o foco mesmo são os celular. Não à toa um dos financiadores das pesquisas é a Nokia.

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A Ameaça Esquecida e a Foto que Ficou

8 de julho de 2010

Quando entrei  na Folha de S.Paulo o assunto da redação era produzir matérias mais curtas e textos concisos. O mais recente projeto do jornal demonstra que isso ainda é uma obsessão, que se fosse realmente possível  hoje estaríamos lendo páginas de pequenas notas, como está sendo na internet.

Há um tempo, aliás, a internet seria o lugar onde os artigos mais longos poderiam ser publicados – “Leia o artigo completo no www…e tal”. Mas o que tem cara de web são as revistas que colocam um monte de notas e pequenos artigos. A experiência na rede continua e está difícil de entender o meio.

Um amigo comentou que o que faltava na internet no Brasil era um Victor Civita, que transformou o mercado editorial nos anos 60. Não sou capaz de concordar ou discordar, mas, sim, falta alguma coisa atraente no jornalismo da internet brasileira.

Me lembrei da foto que fiz dele ainda na Folha.

Naquele tempo a fotografia do jornal era comandada por Luiz Caversan, que junto a David Zingg promovia uma experiência de convidar fotógrafos de fora do jornalismo a trabalharem na redação, elevando a dose de estética na mistura fotografia-informação.

Tudo era novidade. Era um sucesso.

Aí, um dia me passaram a pauta para fotografar o Victor Civita, que eu só sabia ser ele o dono da Abril, mas quando a gente é mais novo e sabe pouco de personalidades, acaba sendo meio irresponsável. É a ignorância a nosso favor.

Usei o tempo todo um cabinho para tirar o flash da câmera, que era tão curto que eu mal conseguia esticar o braço. Provavelmente meu modelo, que devia saber tudo sobre como fazer uma reportagem, uma revista e uma editora, previu a imagem que estava sendo feita, e lá pelo terceiro lugar que eu pedi para ele ficar começou a dizer entre os dentes: “você vai me pagar”.

Estávamos sozinhos (não havia testemunha) e ele parecia simpático, continuava sorrindo e falei que seria um massacre ele fazer isso comigo, afinal, ele era dono da Abril e eu, um iniciante. “Eu vou acabar com você”, continuava ele, rangendo entre os dentes sorridentes.

Não me lembro se ele se despediu de mim ou se fui posto pra fora da sala, mas acho que ele desistiu da vingança.

Ainda bem.

Sobre a internet… sim, acho que ele tomaria uma providência.

O otimismo das lideranças que transformam

26 de março de 2010

Como todos sabem, o mercado de fotografia não é o mesmo de 5 anos atrás. De tantas transformações talvez já não seja o mesmo da semana passada. Indiferente à melhora quantitativa de oferta de trabalho – que alguns amigos confirmam – a fotografia vai, como todos imaginam, continuar se transformando.

Para melhor.

Pelo menos no fotojornalismo.

Não posso acreditar no que eu mesmo escrevo, mas quem acha isso tem motivos, como Brian Storm, citado no último post. Na mesma publicação da Nieman Foundation de onde pincei Storm, outros não se deixam abater pela pobreza do mercado editorial e procuram suas próprias saídas, em combinações heterodoxas e propostas que se pretendem inovadoras.

No artigo intitulado What Crisis?, Stephen Mayes, diretor da agência VII, usa bordões empreendedorísticos (“Now its the time for reinvention”) para dar adeus ao estilo editorial que, assegura, não lhe fará falta, promotor de trabalhos mal pagos, anunciantes superfaturados e limitado e restrito conteúdo. “Foi-se nossa antiga dependência da poderosa elite que controlava a imensa infra-estrutura de produção e distribuição de impressos”.

Eu devo ter ouvido algo parecido em uma manifestação do PT Jovem esta semana, mas Mayes não parece se alinhar tampouco ao chavismo. Ele está mesmo construindo um perfil de negócio rentável para enfrentar o desafio de se viver de fotografia nos dias de hoje, afirmando que a agência que reúne alguns dos profissionais mais renomados do universo jornalístico está na transição de uma “mera fornecedora para ser uma produtora e avançando para atuar como sua própria publisher”.

“Não se trata de encontrar novas formas de se fazer velhas coisas, mas de radicalmente repensar nosso modelo de negócio”. São questões que valem a pena de serem refletidas. Quem sabe ele seja o convidado internacional da próxima edição de uma das semanas de fotografia que pululam pelo Brasil.

Afinal, por aqui a falta de um fórum para se discutir questões relativas ao mercado é total. O incentivo para se aplicar novas alternativas ao mercado é zero, com a grande ausência de profissionais que, mesmo em posições privilegiadas – como editores de fotografia em redações ou diretores de empresas que trabalham com imagens – não se interessam em promover inovações no seu próprio mercado.

Talvez não se trate mais do cara que vai bater pé pela publicação de uma específica imagem, ou de “escanear” portais em busca de uma “foto diferente”, embora a participação nestes estágios ainda seja importante e os sistemas de trabalho serem bem organizados para dar conta dessas tarefas.

Trata-se de gestão. Da  compreensão do caminho que nossa profissão toma; de observar como realmente se constrói uma parceria; ter a clareza de que arrochar valores dá satisfação à empresa, mas a médio prazo faz submergir talentos e atraí semi-profissionais de temporada limitada.

Ainda não ouvi falar de editores de fotografia que tenham se aposentado no cargo (acho que o Kadão, da Zero Hora, vai ser o primeiro, seguido pelos 3 que ainda têm este cargo na Abril). Isso quer dizer que a grande maioria dos que hoje têm este privilégio, provavelmente sentirão em algum momento o que estão construindo para o mercado. E essa é uma questão: em 5 anos vamos estar produzindo o quê, e de que forma.

Enquanto aqui se sofre com a ausência de liderança entre os que tem estrutura para transformar, o documento da Nieman Foundation apresenta vários – com ressalva aos propõem uma diversificação exagerada e um ritmo possível aos 20 e poucos anos – além de Mayes, que define o seu melhor produto oferecido ao mercado: integridade; a credibilidade dos fotógrafos da VII.

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