Archive for the ‘Jornalismo’ Category

O otimismo das lideranças que transformam

26 de março de 2010

Como todos sabem, o mercado de fotografia não é o mesmo de 5 anos atrás. De tantas transformações talvez já não seja o mesmo da semana passada. Indiferente à melhora quantitativa de oferta de trabalho – que alguns amigos confirmam – a fotografia vai, como todos imaginam, continuar se transformando.

Para melhor.

Pelo menos no fotojornalismo.

Não posso acreditar no que eu mesmo escrevo, mas quem acha isso tem motivos, como Brian Storm, citado no último post. Na mesma publicação da Nieman Foundation de onde pincei Storm, outros não se deixam abater pela pobreza do mercado editorial e procuram suas próprias saídas, em combinações heterodoxas e propostas que se pretendem inovadoras.

No artigo intitulado What Crisis?, Stephen Mayes, diretor da agência VII, usa bordões empreendedorísticos (“Now its the time for reinvention”) para dar adeus ao estilo editorial que, assegura, não lhe fará falta, promotor de trabalhos mal pagos, anunciantes superfaturados e limitado e restrito conteúdo. “Foi-se nossa antiga dependência da poderosa elite que controlava a imensa infra-estrutura de produção e distribuição de impressos”.

Eu devo ter ouvido algo parecido em uma manifestação do PT Jovem esta semana, mas Mayes não parece se alinhar tampouco ao chavismo. Ele está mesmo construindo um perfil de negócio rentável para enfrentar o desafio de se viver de fotografia nos dias de hoje, afirmando que a agência que reúne alguns dos profissionais mais renomados do universo jornalístico está na transição de uma “mera fornecedora para ser uma produtora e avançando para atuar como sua própria publisher”.

“Não se trata de encontrar novas formas de se fazer velhas coisas, mas de radicalmente repensar nosso modelo de negócio”. São questões que valem a pena de serem refletidas. Quem sabe ele seja o convidado internacional da próxima edição de uma das semanas de fotografia que pululam pelo Brasil.

Afinal, por aqui a falta de um fórum para se discutir questões relativas ao mercado é total. O incentivo para se aplicar novas alternativas ao mercado é zero, com a grande ausência de profissionais que, mesmo em posições privilegiadas – como editores de fotografia em redações ou diretores de empresas que trabalham com imagens – não se interessam em promover inovações no seu próprio mercado.

Talvez não se trate mais do cara que vai bater pé pela publicação de uma específica imagem, ou de “escanear” portais em busca de uma “foto diferente”, embora a participação nestes estágios ainda seja importante e os sistemas de trabalho serem bem organizados para dar conta dessas tarefas.

Trata-se de gestão. Da  compreensão do caminho que nossa profissão toma; de observar como realmente se constrói uma parceria; ter a clareza de que arrochar valores dá satisfação à empresa, mas a médio prazo faz submergir talentos e atraí semi-profissionais de temporada limitada.

Ainda não ouvi falar de editores de fotografia que tenham se aposentado no cargo (acho que o Kadão, da Zero Hora, vai ser o primeiro, seguido pelos 3 que ainda têm este cargo na Abril). Isso quer dizer que a grande maioria dos que hoje têm este privilégio, provavelmente sentirão em algum momento o que estão construindo para o mercado. E essa é uma questão: em 5 anos vamos estar produzindo o quê, e de que forma.

Enquanto aqui se sofre com a ausência de liderança entre os que tem estrutura para transformar, o documento da Nieman Foundation apresenta vários – com ressalva aos propõem uma diversificação exagerada e um ritmo possível aos 20 e poucos anos – além de Mayes, que define o seu melhor produto oferecido ao mercado: integridade; a credibilidade dos fotógrafos da VII.

Morre o Jornalista, o Texto Sobrevive

3 de fevereiro de 2010

Recebi um e-mail com a tradução da palestra que o jornalista argentino Tomás Eloy Martínez proferiu em 2007, na conferência da Sociedade Interamericana de Imprensa. O texto foi publicado pelo blog Profissão:Repórter, de Luiz Maklouf Carvalho, hoje escrevendo para a revista Piauí.

O motivo da mensagem com o texto por parte do meu ex-chefe foi a morte, por câncer, de Martínez, no dia 31 de janeiro, em Buenos Aires, para onde retornou depois de longa temporada nos EUA. Era professor e colunista de La Nación, The New York Times e El País. Saiba mais sobre ele aqui .

Sob o título de CRÔNICA E REPORTAGEM: EM BUSCA DE UM JORNALISMO PARA O SÉCULO 21 , sua palestra entrelaça as linguagens literária e jornalística firmando-as como estruturais para desenvolvimento de um jornalismo atraente, em tempos de informações a rodo. “A maioria dos habitantes desta infinita aldeia em que se converteu o mundo vê primeiro as notícias pela televisão ou pela Internet, ou a escuta pelo rádio, antes de lê-la nos jornais, se é que acaso as lêem. Quando um jornal vende menos não é porque a televisão ou a Internet lhe venceram, mas sim porque o modo como os jornais dão a notícia é menos atraente. E não tem por que ser assim”, diz ele.

Além de projetar as necessidades e fazer suas observações sobre como o jornalismo deve evoluir nos próximos anos, Martinez ressaltou também o trabalho jornalístico, como uma profissão de fé: “De todas as vocações do homem, o jornalismo é aquela em que há menos lugar para as verdades absolutas. A chama sagrada do jornalismo é a dúvida, a verificação dos dados, a interrogação constante. Ali onde os documentos parecem instalar uma certeza, o jornalista instala sempre uma pergunta. Perguntar, indagar, conhecer, duvidar, confirmar cem vezes antes de informar: estes são os verbos capitais da profissão mais arriscada e mais apaixonante do mundo”.

Bom para quem quer relembrar, muito bom para quem, quer iniciar.

Leia-o na íntegra no blog do Maklouf, ou baixe o .doc abaixo:

CRÔNICA E REPORTAGEM

Foto Inédita na Posse de Obama

22 de janeiro de 2009

chuckEssa foto, de Chuck Kennedy, foi primeira página de diversos jornais no mundo. Pela primeira vez em uma posse de presidente americano foi permitido instalar uma câmera fotográfica tão próxima da tribuna durante o swearing-in service, o juramento presidencial.

A história de sua preparação está na Poynter Online.

Chuck é fotógrafo do McClatchy-Tribune. Trabalha em Washington há 20 anos. Esta foi sua sexta cobertura de posse presidencial. Pelo seu portfólio na web dá para ver que está procurando momentos e cenas que não tornem as coberturas rotineiras enfadonhas. São agulhas no palheiro.
A foto da família Obama em frente à Casa Branca é uma destas cenas.

Instalar uma câmera para ser acionada por controle remoto não é novidade. Mas tratar desse planejamento não deixa de ser ousado e arriscado. A história de outra foto bem sucedida está no blog de fotografia do Estadão. Foi a feita por Jonne Roriz nas Olimpíadas, com o salto de ouro de Maurren Maggi, publicada abaixo.

Maurren

Estes são apenas exemplos  que não foram inventados agora, e que nos dias de hoje não precisamos necessariamente de nenhuma nova tecnologia para produzir trabalhos brilhantes. Mas se ainda assim a tivermos à disposição, sozinha ela não cria o extraordinário.

A História Eletrônica de Uma Eleição

9 de novembro de 2008

O Picturapixel – nossos “sócios” – já publicou.

Para quem gosta e acredita em multimídia. Para quem quer saber a história resumida da campanha de Barak Obama à presidência dos EUA (link na imagem).

nyt3

Tá certo que vem do The New York Times, que quer ser integralmente um jornal na internet e para isso aposta alto. Mas quem quiser contar histórias com a ajuda de novas mídias, tem que começar a produzi-los.

Ricardo Gandour deveria assistí-los.

Receita de Bolo Antiga. Gosto de Mídia Nova

6 de novembro de 2008

A eleição de Barak Obama nos EUA nos coloca diante da nova ordem geopolítica mundial do século 21. Como testemunhas históricas, de madrugada assistimos a tudo através das mais diversas mídias disponíveis. Não falamos apenas da internet, mas também da tv, do rádio, dos impressos, que, contrariando as previsões – que em todos os tempos previam o definhamento das mídias estabelecidas em razão das inovações tecnológicas – souberam se reinventar e não sucumbiram como se era esperado.

Nos nossos dias, a internet é a devoradora de meios, responsável por tudo o que há de bom e de ruim para ser consumido, dominando a audiência fascinada por espelhos, perfumes, iguarias e banners piscando.
Aqui precisamos chamar um analista mais sério para decifrar esse momento, que é o do estabelecimento de uma nova midia.

Num café da manhã para jornalistas e profissionais ligados à comunicação corporativa, Ricardo Gandour, Diretor de Conteúdo do Grupo Estado, fez observações sobre como o amadurecimento da internet como meio de comunicação está se dando.

As preocupações de Gandour não são novas na imprensa. Dizem respeito à qualidade e credibilidade de conteúdo na web, em contraponto à ameaçadora ausência de critérios para publicar notícias na rede. Pode-se “ler” em letras miúdas uma crítica ao estilo blogueiro de vida – embora ele a negue.
Em suas comparações entre o produto que é feito para o jornal impresso e para o portal do Estadão, ele enfatiza que as cobranças são exatamente as mesmas: “Não existe o jornalismo mais responsável e o menos responsável; importa o bom jornalismo. Não tratamos a internet como um ambiente menos compromissado”.

Para Gandour, o encantamento inicial que se tem com novas mídias vem do vislumbre das possibilidades que els apresentam como inovação. Aí, sua aceitação para consumo por parte do usuário é testada sensorialmente e, depois, adquiri estabilidade, com a inclusão de valores da sociedade ao seu conteúdo.
Daqui seguimos com a mensagem principal de Gandour para sua audiência matinal: a idade eletrônica da razão está chegando com uma preocupação para com estes valores.
Podemos pensar que não poderia ser diferente para o diretor do grupo jornalístico que tem demasiados valores em seu DNA, mas Gandour distribui suas críticas ao próprio mainstream, que segundo ele passou um tempo desaprendendo como se faz jornalismo; abriu mão de conceitos jornalísticos e também de valores sociais e individuais. Ele acha que isso está sendo reconstruído e estes clássicos conceitos e valores estão sendo recuperados para o estabelecimento de uma nova era na comunicação.

O que parece estar deslocado de contexto é quando ele faz interessantes analogias de rádio-escuta com captura robotizada de notas de sites; da edição de imagens de tv distribuídas por agências com o extinto telex; e fala da recuperação da diagramação atribuindo importância a assuntos no site, em detrimento de blocos padronizados com “empilhamento” de chamadas (nesse momento, não por acaso, ele acessa o UOL).
Mas tudo tem a ver no raciocínio do engenheiro que se formou jornalista e estudou em Stanford. Para manter o crescimento do portal, que ano passado tinha 18 milhões de acesso ao mês e em outubro deste ano alcançou a marca de 94 milhões de visitas, ele promove uma gestão de talentos para o exercício da edição, que é escolher e decidir, como sempre foi, para o jornal impresso e para a internet.

Não é só por um áudio, nem por um vídeo no ar. Tem o conjunto, as decisões na reunião de pauta da manhã e nossas escolhas na edição”.

E como formar o reportariado para a missão multimidiática? Para ele, a imagem do repórter com bloco, gravador, câmera e capacete com filmadora está superada. Lá eles formam profissionais, contratam editores, têm um estúdio de tv na redação, estações de edição….putz, será que ainda cabe mais gente naquele prédio da Marginal?

Esse não parece ser um problema para Gandour, que defende estar a saúde financeira de uma empresa jornalística diretamente ligada à sua autonomia. O problema é que para se trabalhar bem é necessário formar o profissional, que “precisa ler mais, estudar mais, se especializar. E isso tem custo“.

É o custo de um bom conteúdo.

Anarquia Contra o Desrespeito

1 de agosto de 2008

Novo áudio slideshow, com uma cara diferente – tento convencer uma amiga que essa mídia é ótima para dar voz a quem tem o que reclamar.

Carrega um tom um pouco anárquico, um ato que sugere a sociedade auto-governante, com direitos e respeito mútuo num sistema sem autoritarismo.

É claro, utópico. Mas quem vive em São Paulo tem que acreditar ou praticar. Sem muita ajuda de corpos consulares, mas talvez aplicando uma espécie de jornalismo social vigilante. Um estágio iniciante do jornalismo cidadão.

Link na imagem ou aqui.

Um Mestrado de Muitos Mestres

25 de julho de 2008

A História Bem na Foto: Foto-Jornalistas e a Consciência da História, dissertação de mestrado de Aguinaldo Ramos, já foi assunto deste blog. Há uma semana aconteceu sua apresentação, no IFCS, da UFRJ. Depois de pouco mais de 3 anos, o trabalho que consumiu 200 páginas em espaço 2, foi aprovado.
Regina Maria da Cunha Bustamante, uma das doutoras da banca, o considerou “um desafio e uma subversão aos parâmetros teóricos acadêmicos, mas uma contribuição instigante que vem ao encontro do que a história vem buscando”.
Aguinaldo juntou Paul Veyne, Antonio Gramsci e o depoimento de mais de 30 fotógrafos para discutir as intenções ou ilusões que o fotógrafo tem de sempre tentar produzir uma foto que se torne um documento histórico, e categorizar as imagens quando isso efetivamente acontece.
A idéia vem da própria vida profissional do novo mestre e experiente fotojornalista, sempre na obrigação de fazer a foto surpreendente, emocionante. Em suas palavras, “transcendental”.

Não li o trabalho inteiro, mas acessei o blog (link aqui e nas fotos) que ele criou com os depoimentos dos 33 fotógrafos. Aí, então, ao mestre Aguinaldo juntam-se outros mestres. O que se lê – e vê – ali já seria o suficiente para emocionar acadêmicos, diletantes e auto-didatas. Seguem-se, um após outros, depoimentos de profissionais que fizeram história na imprensa brasileira. Só de prêmios Esso, têm 5 ou 6.
Walter Firmo, Luiz Morier, Américo Vermelho, Custódio Coimbra, Januário Garcia… putz. Com o perdão da palavra, é do cacete!

João Roberto Ripper conta como se tentava contornar a diretriz de O Globo contra a campanha das Diretas Já, Sérgio Araújo narra a emocionante história da mulher que se jogou do edifício Andorinhas em chamas, e Evandro Teixeira diverte com a deliciosa história da foto de Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius de Moraes deitados numa mesa de bar.

Aguinaldo, o Guina, parece ele mesmo saído de um samba bossa nova: não vai muito ao cinema, não vai mais a Ipanema, não gosta de chuva nem gosta de sol. Mas gosta de samba e, rubronegro, pelo menos vai ao Maracanã; não aos jogos, mas para umas caminhadas ao redor do estádio com a namorada, Márcia.

Seu depoimento me fez lembrar de uma conversa há anos, na Fotossíntese do Rio, quando ele me ensinava como fazer a fotometragem da luz, que eu não media direito. Comentou que trabalhou quase um ano com o fotômetro da Nikon F3 do Jornal do Brasil quebrado, e nem por isso deixava de fazer suas duas ou três pautas por dia.

Tudo isso é um tempo passado, que eu não vivi muito, mas que ainda emociona e surpreende, assim como Aguinaldo sempre quis suas fotos: “transcendental”.

PS: Inadvertidamente mandei um depoimento ao Guina, porque achei estar colaborando com um amigo. Leve engano. Estar no meio de nomes como os que citei é algo que só pode trazer orgulho, mas os elogios acima devem ser reservados a esses fotógrafos, que fizeram a história da fotografia e do país.

Fotografia de início, meios e fins

11 de julho de 2008

Este blog tenta publicar bons exemplos de trabalhos online. Assim como ainda há muitos a serem conhecidos, reconheço também que tem muita coisa ruim pela internet. Mas essa é a força da web: dar espaço democrático para quem quer mandar sua mensagem. É o sucesso dos blogs.
Um fotógrafo, por exemplo, só não tem seu site, galeria ou Flicker se não tiver o que dizer, o que mereceria uma reflexão sobre seu próprio trabalho.

Fico bastante animado quando gostam de nossos áudio slideshows. Ainda acho que as possibilidades são muitas e variadas. Veja, por exemplo, o que outro grupo ativo em multimídia faz, o Garapa, formado por três fotógrafos jovens, cheios de idéias e engajados: um é blogueiro assumido (e não tímido, como eu), outro atua em ong para a educação de crianças.
Entre uma pauta e outra para a Folha ou para a Editora Abril, lá vão eles criar um projeto pessoal, usando soundslides, quicktime ou finalcut. Eles fazem parte de um grande grupo que aproveita as ferramentas disponíveis na internet. Oferecem conteúdo.

Bom conteúdo sempre foi o fator que diferenciou produtos intangíveis, mas, por um breve período, se imaginou que o simples fato de se estar com boa tecnologia na internet já definiria a morte de jornais e revistas impressos. O relatório The State of the News Media de 2008, decifrado por Eugênio Bucci há meses atrás, coloca pingos nos “is”: a mídia tradicional ainda é bem consumida e os sites de maior audiência são os que têm como endereço os grandes títulos do jornalismo, como CNN e New York Times. Não acho que no Brasil seja diferente.
É a credibilidade da marca, que se constrói.

O importante é partir de algum lugar para se começar essa construção. É o Garapa, o Fotogarrafa, o e-SIM e outros grupos se organizando e formando profissionais. Pode ser materializado num site, no Flicker ou num blog, mas fundamentalmente começa dentro de cada fotógrafo.

WPP – Discurso de Fotógrafo Premiado

6 de junho de 2008

Tim Hetherington é formado em literatura por Oxford, com pós-graduação em Fotojornalismo em Cardiff. Foi duplamente premiado no World Press Photo deste ano pelo seu trabalho para a Vanity Fair no Afeganistão. O principal foi ter esta sua imagem abaixo eleita como foto do ano.

Aqui vai uma curiosidade pessoal, que é o discurso de um premiado. Aí está ele. Desculpe a tradução, mas se não estiver satisfeito, pode ler em inglês na Dispatches.

Você, aliás, vai se surpreender com essa revista, que em seu primeiro número publica um ensaio fotográfico de 80 páginas (oitenta!), de Antonin Kratochvil, sobre o tema central da edição, que é a América.

”Muita gente pergunta o que essa imagem significa para mim. É uma questão que eu tento evitar porque ela toca bastante em algumas questões pessoais. Mas achei que poderia tentar respondê-la esta noite.

Para muitos essa imagem representa a mais ampla idéia política de guerra. Já foi dito que o homem fotografado mostra a exaustão de uma nação. Alguns a vêem como campanha política em favor da guerra, outros como sua denúncia. Mas não necessariamente ela é uma coisa ou outra.

Para mim, esta imagem não é sobre uma nação ou uma idéia. É sobre um jovem derrubado ao lado de um morro, no Afeganistão. Seu mundo se transformou em quatro paredes sujas, cavadas por suas próprias mãos. Um quarto do seu pelotão foi morto ou ferido e ele sabe que talvez possa não ver sua mulher de novo.

Esta foto também é sobre como eu me sentia: vivi com estes soldados; fiz patrulha com eles; comi sua comida, e dormi ao relento na mesma cama de campanha. Como eles, me senti exausto durante a batalha e ri quando ela havia terminado. Também fiquei apavorado pela perspectiva de ter o acampamento invadido por insurgentes.

Ter feito esta foto mudou muitas coisas para mim. Parece que ao vencer este prêmio, a imagem foi tomada de mim. Nada me preparou para que uma imagem minha fosse examinada tão publicamente. Estou honrado que a fotografia seja o buraco da fechadura por onde podemos ver o mundo e nossa indústria na atualidade, e aceito que isso atraia criticas em igual medida. Às vezes até desejo que pudesse ter feito um imagem melhor. Gostaria, por exemplo, que ela fosse representativa dos anos que eu passei no oeste da África. Mas não é, e não posso mudar isso. Assim como não posso reter as difíceis memórias e emoções que tenho quando olho para isso.

Voltando, eu tomei a imagem deste soldado fotografado. Foi um momento roubado; uma conseqüência da minha presença. Eu não tinha a menor idéia do que o soldado pensava ou sentia. Mais tarde me senti mal por ter roubado sua imagem e tê-la tornado tão pública. Então, quando estive lá semana passada, perguntei a ele, Brandon Olson, o que ele achou da foto. Ele disse que estava orgulhoso dela, sua família estava orgulhosa dela, que sua mulher estava também orgulhosa. Mas que ele tinha ouvido que a foto havia sido usada em cartazes num protesto contra a guerra, em Nashville, o que não havia lhe agradado.

Quando ele olha para esta foto, ele também vê algo intensamente pessoal. Como eu, ele perdeu o controle sobre esta imagem. E assim como eu e ele estamos agora intimamente ligados por esta imagem, nós esperamos que também vocês, pelo ato de olhar, fiquem também interligados. Porque para mim, o poder desta imagem, não está no que ela representa, mas em sua capacidade de nos conectar, como pessoas.“

Tim Hetherington

Resultado de Workshop da MediaStorm

29 de maio de 2008

Este blog anunciou em fevereiro o primeiro workshop organizado pela MediaStorm. O preço para participantes era bem salgado, mas eles conseguiram 4 profissionais que se aventuraram na produção, por uma semana, em maio, de projetos multimídia em Nova York. O making of do workshop e o resultado dos projetos você pode ver neste link (e na foto).

Pode parecer que o número de participantes é pífio. E realmente dá a sensação de que multimídia é para poucos. Mas a biografia dos participantes também demonstra que é para poucos e bons.

Aos interessados, neste link você pode se candidatar ao próximo curso. O valor para posição de observador – que é a mais barata e o cara só … observa – abaixou: agora custa 2.500 dólares