Reportagem Musical Multimídia

12 de março de 2010

Uma coincidência: fotografar dois espetáculos em uma semana – Cats e O Despertar da Primavera. Não é uma especialidade, mas pode se tornar. Vou até deixar a foto do cabeçalho por mais tempo.

O Despertar me lembrou outro musical que assisti no Rio, bem na adolescência, Band Aid, com direção musical de Zé Rodrix. Fui umas 3 vezes.

Foi o que aconteceu com o Despertar na temporada carioca. O pessoal ia um monte de vezes, como contou o diretor Cláudio Botelho ao repórter Sergio Roveri.

Fiz essa reportagem multimídia. Se você quiser, leia a matéria do Roveri no site do Diário do Comércio, com link aqui.

O Flagrante do Light Painting

17 de fevereiro de 2010

Uma grande amiga minha, Alice Granato, um dia me chamou para fazer um trabalho para a revista da Fuji. Me perguntou o que eu poderia sugerir. Na época eu tinha inventado de fotografar casais amigos grávidos, com a hassel e uma lanterninha. Era só botar no B e ir registrando com a luz da lanterna o que quisesse.

Isso não era exatamente novidade, porque ainda é muito usado em still life e tem a famosa foto de Pablo Picasso desenhando com a lanterna, feita por Gjon Mili. Mas o lance, pra mim, era fotografar gente, que escolhia o modo de posar e tinha que ficar paradinho por uns 3 ou 10 minutos, dependendo da viagem que viesse a nossas cabeças.

A primeira que fiz foi para uma matéria quando ainda estava no Estadão, mas o jornal não entendia muito o que aquela imagem tinha de diferente.

Depois fiz de outra amiga, em NY, Christiana George, no seu apartamento, em 1996. Ficou surreal, porque Chris não é exatamente essa pessoa que fica parada por 1 minuto. Sumiram uns pedaços dela, mas nós adoramos.

Para a revista da Fuji, achamos que daria um tom meio retrô (ou é vintage?) e ela sugeriu que fizéssemos isso na matéria com Arnaldo Antunes.

Passamos a noite com ele – bem, normalmente é melhor que se faça isso a noite, mas pode ser num quarto escuro – que no final disse que já estava gostando de ficar quieto num canto.

O fato é que independentemente da forma como a imagem foi capturada, o resultado ficou pouco “efeito” e a situação de deixar uma pessoa por tanto tempo, parada, mergulhada no silêncio, faz seu olhar procurar algo, que talvez a gente só capture, muito ao contrário de uma pessoa estagnada, num verdadeiro e único  Instantâneo.

A foto publicada não foi essa, mas qual é a vantagem de mostrar o que já foi visto.

Vencedores do World Press Photo 2009

12 de fevereiro de 2010

Foto do italiano Pietro Masturzo, Picture of the Year, da WPP

Saiu a premiação do World Press Photo.

Você pode ver os destaques no site da Lens Culture, e o slideshow com link na imagem acima.

Memória de um Metrô bruto, e saliente.

11 de fevereiro de 2010

Quem mora perto de uma estação de metrô em São Paulo está com tudo. Quando morava no Rio, evidentemente preferia ir ao centro da cidade de ônibus, aquele que passa pelo Aterro ou o que segue pela Praia do Flamengo. Mas em São Paulo, o que é uma paisagem para ser vista?

Além do mais, o trânsito aqui é infernal. Não que os 62 km de trilhos distribuídos por suas atuais 4 linhas dêem conta de um fluxo diário de mais de 3 milhões de usuários e conforto a ponto de deixarmos sempre o carro em casa. Não se iluda: andar de metrô em São Paulo também é estressante.

Mas se não tem a paisagem, tem os personagens. Desde sempre houve a curiosidade nesses cidadãos comuns que atravessam a metrópole por baixo da terra, que nem tatu. Até Stanley Kubrick fez um ensaio fotográfico para a revista Look em sua fase jornalística, talvez inspirado pelas fotos de Walker Evans (que começou este trabalho antes, mas só o publicou mais tarde).

Esta semana saí correndo de casa e achei que o metrô seria o transporte mais rápido naquele horário. Na verdade, ansioliticamente também era a melhor opção, uma vez que atrasados no trânsito normalmente fazem barbaridades.

Talvez não seja diferente no metrô. É comum a moça atrás de você dar um empurrãozinho depois que a campainha toca e daí você empurra alguém que não quer entrar no corredor e que se vira com um olhar severo contra sua falta de etiqueta. Numa cidade onde pouca gente dá a vez, isso infelizmente não é anormal.

Mas neste dia, o caldo entornou. Não para mim, conformado com o status de “atrasado”, tentando não fazer com que isso me tornasse também um mal-educado.

Ao invés de descer na Sé, desço na Boa Vista – tem menos movimento. Tento fugir pela beira, próximo à parede, ando uns 10 metros mas percebo que algo que não pode tirar minha concentração e meu objetivo de andar rápido agita a plataforma com gente torcendo o pescoço na direção do trem.

Num segundo, o que parecia estar em outro vagão atravessa minha frente, a menos de dois metros (o que não é muito na velocidade de caminhada). Um mulato – que nem era exatamente fortão – careca e de mochila, joga outro homem violentamente contra o anúncio de metal de algum MBA preso ao paredão de concreto da estação, bem a minha frente. O jogado, de calça moleton, camiseta e mochila, desabou num estrondo. Seu único bem à mão voou e partiu ao meio, caindo a bateria para um lado e o fone para outro. O careca gritava: “você bate em uma senhora, quero ver bater em homem”.

Minha primeira reação foi tentar fazer o deixa-disso, mas num piscar, para ver se era isso mesmo que estava acontecendo, pensei: vou assistir.

O homem de moleton se justificava dizendo que a mulher que havia agredido o havia empurrado antes, para sair do trem. E tome outro safanão do careca. A senhora em questão olhava tudo com cara de brava. Só pode dizer no final, “você tem que apanhar, mesmo. E eu não preciso dele (careca) pra isso, viu?”.

Nos 30 segundos que tudo isso deve ter durado não dei nenhum passo. Era o primeiro da fila. Não era a primeira briga que presenciava no metrô, mas nem por isso tudo me pareceu familiar. São Paulo tem se tornado uma cidade infeliz, onde as gentilezas chamam a atenção de tão raras. Andar pelo centro na hora do almoço, por exemplo, é selvagem.

Para mim, isso é resultado de uma seqüência de prefeitos carrancudos, incapazes de trazer o humor e a alegria ao poder. A cidade reflete. O metrô sintetiza.

Volta pra Casa

Pior do que vir correndo, atrasado, é voltar carregado de bolsas. São mais de 8 horas da noite, dia cheio, torço, rezo e o trem vem vazio. Mesmo assim não deu para sentar depois de baldear para a linha verde.

De pé, no corredor mas próximo da porta, acompanho os passageiros que entram na estação Trianon-Masp. Uma delas entra falando no celular e me faz lembrar do meu passatempo atual, que é navegar com o gps do google pelo maps mobile. Antes mesmo de ver se meu celular receberia sinal do satélite no metrô, a moça que parecia ter saído de uma aula de marketing administrativo da GV, com uma bolsa de couro no ombro, sapato com saltinho e um vestido tomara-que-caia estampado, para na minha frente e reage como se tivesse perdido o sinal da operadora. Olhando o aparelho flip e dando a entender que a tela havia umedecido com o suor de seu rosto, encosta o aparelho ao seio esquerdo e tenta limpa-lo com movimentos circulares, lentos, pensativos, sem muito rigor.

Eu olhei, mas tinha mais gente olhando. Só que ela estava bem na frente, muito mais perto do que o homem atingido por um safanão na estação Boa Vista.

Ela olhou o aparelho, bem próximo do que poderia ser descrito como o correspondente a 300 ml de uma prótese de silicone perfil alto – não tivesse a aparência natural. Ainda não estava limpo. Então encostou-o novamente no mesmo peito e massageou o aparelho.

Eu desviei o olhar – afinal, sou casado – e o aparelho deve ter tocado ou vibrado, porque ela o atendeu.

Estava passando um anúncio de peça teatral na TV Minuto. Ou algo relacionado à estréia do Robinho, sei lá. O problema do momento é que a ligação ia terminar e o aparelho estaria sujo de novo.

Olha, é difícil se mexer no metrô com duas bolsas no ombro e acho que eu estava até com um guarda-chuva na mão. Mas nem precisei me mover: enfim, Estação Vila Madalena.

Tem momentos que realmente não me importo por não fotografar. Antes mesmo de fabricarem os modelos digitais, a memória já tinha sua valia. Só precisa olhar com atenção.

Memória e atenção. Não ande no metrô sem elas. Mas cuidado para não se meter em brigas.

Você já viu o seu flameguista hoje?

8 de fevereiro de 2010

Depois que se assite ao áudio slide show Um Flamenguista ao Dia, todo mundo começa a ver aparições rubro-negras por todo o canto. E ainda acha legal!

Por isso é que sempre recebo uma “lembrancinha” carinhosa dos amigos que viajam pelo país. Dessa vez veio do Henrique Manreza, que faz o blog 28 mm.

Moto-taxi em Porto Velho / Rondonia

Se você começar a ver flamenguistas demais, saiba que são dois os motivos:

1 – você é que andava distraído antes ;

2 – a nação rubro-negra só cresce!

Mande o seu também 🙂

Milionário compra 200 mil fotos da Magnum

3 de fevereiro de 2010

Do site do Finantial Times (clique nos links)

FT.com / Media – Dell fund acquires Magnum opus.

Morre o Jornalista, o Texto Sobrevive

3 de fevereiro de 2010

Recebi um e-mail com a tradução da palestra que o jornalista argentino Tomás Eloy Martínez proferiu em 2007, na conferência da Sociedade Interamericana de Imprensa. O texto foi publicado pelo blog Profissão:Repórter, de Luiz Maklouf Carvalho, hoje escrevendo para a revista Piauí.

O motivo da mensagem com o texto por parte do meu ex-chefe foi a morte, por câncer, de Martínez, no dia 31 de janeiro, em Buenos Aires, para onde retornou depois de longa temporada nos EUA. Era professor e colunista de La Nación, The New York Times e El País. Saiba mais sobre ele aqui .

Sob o título de CRÔNICA E REPORTAGEM: EM BUSCA DE UM JORNALISMO PARA O SÉCULO 21 , sua palestra entrelaça as linguagens literária e jornalística firmando-as como estruturais para desenvolvimento de um jornalismo atraente, em tempos de informações a rodo. “A maioria dos habitantes desta infinita aldeia em que se converteu o mundo vê primeiro as notícias pela televisão ou pela Internet, ou a escuta pelo rádio, antes de lê-la nos jornais, se é que acaso as lêem. Quando um jornal vende menos não é porque a televisão ou a Internet lhe venceram, mas sim porque o modo como os jornais dão a notícia é menos atraente. E não tem por que ser assim”, diz ele.

Além de projetar as necessidades e fazer suas observações sobre como o jornalismo deve evoluir nos próximos anos, Martinez ressaltou também o trabalho jornalístico, como uma profissão de fé: “De todas as vocações do homem, o jornalismo é aquela em que há menos lugar para as verdades absolutas. A chama sagrada do jornalismo é a dúvida, a verificação dos dados, a interrogação constante. Ali onde os documentos parecem instalar uma certeza, o jornalista instala sempre uma pergunta. Perguntar, indagar, conhecer, duvidar, confirmar cem vezes antes de informar: estes são os verbos capitais da profissão mais arriscada e mais apaixonante do mundo”.

Bom para quem quer relembrar, muito bom para quem, quer iniciar.

Leia-o na íntegra no blog do Maklouf, ou baixe o .doc abaixo:

CRÔNICA E REPORTAGEM

WordPress da Smashing para Fotografia e Multimídias

26 de janeiro de 2010

A Smashing Magazine criou um tema baseado no WordPress especialmente para blogs carregados de multimídias e fotos.

O download é gratuito. Clique na imagem e saiba mais.

Freelancer Garante Carteira Assinada. Dos outros.

19 de janeiro de 2010

Eu realmente quase desisti desse blog, como ficou evidente. Cada vez que eu lia algo interessante e que dava um caldo, até me dava um coceira. Mas, convenhamos, é muito difícil se concentrar em discutir no vazio e conseguir trabalhos e clientes. Pelo menos para um fotógrafo independente, que é o que sou no momento.

Mas há coisas mais interessantes do que número de acessos a esse blog, que é o barato de escrevê-lo para refletir, pensar e repensar. Além de poder publicar algumas novidades pessoais.

A coceirinha para escrever dessa vez veio por causa de um artigo no blog do Photoshelter, falando sobre a demissão de todos os fotógrafos do Washington Times, de uma só vez, no final do ano passado. Essa é a parte ruim mas, segundo o artigo, previsível o bastante para que possa ocorrer também em outras empresas.

Tentando fazer do limão um limonada, o Photoshelter pediu a John Harrington, fotógrafo freelencer, blogueiro e autor do livro Best Business Practices for Photographers, uma lista com as principais medidas a serem tomadas por fotógrafos que perderam e/ou que ainda não perderam o emprego –  The 10 Things a Recently Laid-off Photographer Must Do / The 10 Things a Not-Yet-Laid-Off Staffer Must Do.

Francamente, a lista reforça as propostas de organização que pedíamos quando agências de fotografia começaram a se relacionar com o Diário do Comércio, há 5 anos atrás, mas não pareciam saber por onde começar. Aliás, é menos exigente porque há tempos podemos perceber a limitação de crescimento do fotógrafo celular-laptop-moto.

O interessante está no 8º item da primeira lista, que traduzi (me desculpem,ok?) assim:

“8 – Brigue por seus colaboradores

Se você entende que dos $ 45.000 que você recebe por ano como contratado, somados os benefícios e impostos trabalhistas, o seu custo total para a empresa será elevado a $ 52.000, então você custa a essa empresa $ 1.000 por semana, ou $ 200 por dia. Se o seu jornal pode contratar um freelancer / colaborador por $150 por dia – e ainda, só quando ele necessita – quanto tempo demorará para que o departamento de contas lhe considere dispensável?

Tenha certeza de que freelancers / colaboradores sejam pagos por trabalho pelo menos 20% a mais do que você (segundo as contas acima), e que as publicações / organizações recebam somente os direitos necessários.”

Me lembro de quando trabalhei num jornal e um dos editores reclamava que certos freelancers ganhavam mais do que alguns contratados. Na época eu já achava isso natural porque existem benefícios e garantias para quem tem a carteira assinada, não para o freelancer. Mas ele pensava em dinheiro na mão e não era o único.

Com a lógica dos custos baixos se impondo neste mercado, o raciocínio de Harrington é claro demonstrativo de quanto tempo fotógrafos ficaram dando tiro no próprio pé.

Vale a pena olhar a lista toda e medir o quanto estamos perto ou longe de uma organização razoável.

Vou Contar Só Para Você

17 de julho de 2009

Querido diário,

Hoje estou em mais uma das minhas crises, dessa vez provocada por um orçamento que admiti.

Como você sabe, a vida de fotógrafo independente nunca foi fácil, e tem piorado. Aquele leão que matávamos todos os dias, agora vem com a leoa e mais dois leõezinhos famintos. Ainda bem que mantemos clientes antigos e fiéis, que de 3 em 3 anos, nos chamam para fazer o mesmo trabalho.

Pois um deles apareceu e me pediu para fazer o retrato de seu presidente, que eles distribuem pra a imprensa e usam na comunicação interna. Nem me lembrava quanto cobrei na última vez. Mas me lembro que eles já haviam pedido um orçamento ano passado. Eu tinha cobrado R$ 1.200. Mas a secretária me ligou e perguntou se eu não faria por R$ 1.000.

Claro que sim, ué? Gosto muito de tê-los como clientes (odeio esse termo). Mesmo assim, não me chamaram. Fiquei achando que tinham preço melhor.

Mais de um ano depois, novo contato. Fiquei sabendo que eles não haviam feito o trabalho mas mesmo assim fiquei encafifado pelo ano anterior, e mandei outro orçamento, de R$ 800.

Depois de algumas semanas, me ligaram para confirmar data, mas perguntando se não poderia melhorar o preço. Bom, o melhor é me dizerem o quanto podem gastar, não é mesmo?

R$ 500.

Olha, pra mim é um prazer fazer esse trabalho, como sempre fiz, …”. E depois, eles devem ter alguém que vai fazer por esse valor.

Meu coração dói e minha garganta engasga, querido diário, mas tem os leõezinhos, sabe? E depois, não deve acontecer só comigo, não é? Um amigo, por exemplo, faz anualmente um grande trabalho para um grupo varejista. Há 3 anos cobrava R$ 20 mil pelo trabalho completo. Ano passado, disputou com outros dois concorrentes. Um mandou o valor próximo ao dele. O outro botou pra quebrar. Pediu R$ 5 mil.

O cliente (odeio esse termo) achou uma extravagância e não abriu mão do trabalho que já conhecia. Apesar da diferença, manteve tudo como havia sido no ano anterior.

Mas aí veio a crise, né? Esse ano teve nova concorrência e lá estavam as mesmas propostas, iguaizinhas às do ano passado: um de 20, outro de 5.  A empresa não titubeou e definiu a situação perguntando ao meu amigo se ele faria por R$ 10 mil, ou eles teriam que aceitar o outro orçamento.

“Olha, pra mim é um prazer fazer esse trabalho, como sempre fiz, …”.

Hoje vou dormir mais tarde. Estou sem sono. Escrevo para você, querido diário, para ajudar a assimilar tudo isso e entender o que um outro amigo quer dizer com “o que vai definir o nível do trabalho a ser contratado é o mercado”. Tenho que pensar sobre essa frase.