Posts Tagged ‘banco de imagens’

A Ameaça Esquecida e a Foto que Ficou

8 de julho de 2010

Quando entrei  na Folha de S.Paulo o assunto da redação era produzir matérias mais curtas e textos concisos. O mais recente projeto do jornal demonstra que isso ainda é uma obsessão, que se fosse realmente possível  hoje estaríamos lendo páginas de pequenas notas, como está sendo na internet.

Há um tempo, aliás, a internet seria o lugar onde os artigos mais longos poderiam ser publicados – “Leia o artigo completo no www…e tal”. Mas o que tem cara de web são as revistas que colocam um monte de notas e pequenos artigos. A experiência na rede continua e está difícil de entender o meio.

Um amigo comentou que o que faltava na internet no Brasil era um Victor Civita, que transformou o mercado editorial nos anos 60. Não sou capaz de concordar ou discordar, mas, sim, falta alguma coisa atraente no jornalismo da internet brasileira.

Me lembrei da foto que fiz dele ainda na Folha.

Naquele tempo a fotografia do jornal era comandada por Luiz Caversan, que junto a David Zingg promovia uma experiência de convidar fotógrafos de fora do jornalismo a trabalharem na redação, elevando a dose de estética na mistura fotografia-informação.

Tudo era novidade. Era um sucesso.

Aí, um dia me passaram a pauta para fotografar o Victor Civita, que eu só sabia ser ele o dono da Abril, mas quando a gente é mais novo e sabe pouco de personalidades, acaba sendo meio irresponsável. É a ignorância a nosso favor.

Usei o tempo todo um cabinho para tirar o flash da câmera, que era tão curto que eu mal conseguia esticar o braço. Provavelmente meu modelo, que devia saber tudo sobre como fazer uma reportagem, uma revista e uma editora, previu a imagem que estava sendo feita, e lá pelo terceiro lugar que eu pedi para ele ficar começou a dizer entre os dentes: “você vai me pagar”.

Estávamos sozinhos (não havia testemunha) e ele parecia simpático, continuava sorrindo e falei que seria um massacre ele fazer isso comigo, afinal, ele era dono da Abril e eu, um iniciante. “Eu vou acabar com você”, continuava ele, rangendo entre os dentes sorridentes.

Não me lembro se ele se despediu de mim ou se fui posto pra fora da sala, mas acho que ele desistiu da vingança.

Ainda bem.

Sobre a internet… sim, acho que ele tomaria uma providência.

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Flickr, O Custo da Exposição

19 de agosto de 2008

A discussão sobre o Flickr no blog de Bob Haggart pegou fogo semana passada (link). Fotógrafos, agentes, advogados e transeuntes bateram boca por 5 dias. Em questão, o quanto a plataforma API do Flickr é eficiente contra a pilhagem de fotos por empresas que se aproveitam de normas pouco claras. Como ponto de partida está o caso envolvendo publicidade da Heineken.

O Flickr, para a grande maioria de fotógrafos que dela participam, é a maior vitrine de trabalhos que existe. Quem quer ser visto, está nela por motivos comerciais e artísiticos. Foi nela que Win Wernders achou Tony de Marco; é lá que muita gente vende trabalhos, com muita dificuldade, aliás.

A discussão no blog de Hoggart, confrontando um consultor de negócios de fotografia e dono de banco de imagens na internet e uma advogada que cita um monte de gente e tem um blog que fala dela mesma, levanta muitas questões importantes para se definir as regras do jogo. A história é complicada e envolve uma discussão singular e inusitada para nós no Brasil, que se chama direito autoral.

Vale para quem quer saber como o jogo é jogado por lá.

Quem quiser saber da lei de direito autoral brasileira, clique abaixo.

Lei Direito Autoral.DOC

Serviços Velozes e Preços Furiosos

31 de julho de 2008

Quando a gente fala de navegar em banda larga, é como falar sobre câmeras digitais: estamos satisfeitos com nossos 10 mpixels, mesmo sabendo que existe a mais nova com 16 mpixels (falando de pequenos formatos).

Para quê uma banda larga de 8 Mbps?

A GVT, que atua em telefonia de alguns estados do país, está oferecendo o Turbonet MEGA MAXX, banda larga com velocidade de até 20 Mbps. Um exagero? Realmente, tem que assisitir a muitos vídeos para compensar os R$ 500 mensais (valor em Curitiba).

Mas não se engane que esse serviço não tenha utilidade para seu negócio com fotografia. O relacionamento entre fotógrafos e clientes muda; muda também o do fotógrafo e sua produção. As soluções oferecidas para o mercado, se é que você ainda não reparou, envolvem soluções web. Não ocorre apenas na fotografia e vai além de se postar uma foto no blog à partir do seu celular (embora, para mim, isso já seja impressionante).

Uma empresa chamada SugarSync oferece isso. Aliás, oferece bem mais: o serviço sincroniza o seu computador de casa com o do trabalho, não importa a plataforma (Mac ou PC). Para isso, você indica ou cria as pastas que devem ser sincronizadas. Enquanto você estiver online, as pastas vão sendo atualizadas em tempo real. Isso quer dizer que se você estiver escrevendo um texto no seu laptop, na praia, em um arquivo dentro de uma pasta sincronizada, quando você salvar o doc, ele já mudou no desktop de sua casa, no Sumaré.

Aplicado à fotografia, se você quiser sincronizar pastas ou até mesmo seu arquivo inteiro, você pode. E se quiser ver tudo isso remotamente, de outro computador, o SugarSync lhe dá um endereço onde você tem acesso a todo o material na internet. De lá você pode compartilhar pastas (como se faz no GoogleDocs) e álbuns de fotografia inteiros, com direito a download de fotos em alta. Um ótimo backup.

Quem é mais ligado já sacou que isso é um FTP sofisticado, com interface e programação. E essa é toda a diferença. Uma solução web, como é o DigitalRailRoad para bancos de imagens. Tecnologicamente tem a diferença de, até onde eu sei, o DRR não poder ser gerenciado pelo seu celular. No SugarSync, longe de casa ou do escritório, você manda uma foto para seu cliente.

É claro que vai depender da sua empresa de telefonia móvel. Para sincronizar pastas de fotos no SugarSync você também vai precisar de uma boa velocidade. Planos de 1 Mbps – com baixas velociadade de upload – não dão conta. De 2 Mbps, também não. Para se ter uma idéia, 100 Mb de fotos, com uploads a 280 Kbps, serão mais de 6 horas de tráfego. Vale a pena editar.

Em São Paulo não tem GVT. Mas, se tivesse, como é que se repassa o custo de 20Mbps? Bem, isso já tem que ser em outros posts.

We had a bad day when Dolly was cloned

17 de julho de 2008

Jennifer Anderson, uma jovem atriz do Oregon que inicia seu curso de psicologia em Berkeley daqui a um mês, posou para Doug Menuez há alguns anos, tendo como cenário uma universidade americana. Foi seu primeiro trabalho como modelo e ela nem sabia o que significava “imagens royalty-free”.
Depois que essas fotos ilustraram propagandas de duas concorrentes do mercado de pcs e outros incontáveis e mais variados anúncios e publicações (incluindo capas de livros, veja a lista aqui), Jennifer ficou famosa como The Everywhere Girl. Uma história incrível de super exposição que a fez criar um blog e até uma linha de roupas com uma das fotos estampada.
Só a Getty-Images deve saber quantas vezes suas fotos – tiradas para banco de imagens em um dia de sessão – foram vendidas. Mas nem a Getty sabe o porquê tantos querem tanto a mesma imagem.

Imodesta, Jennifer está surpresa por só agora a Slate tê-la descoberto.
Na verdade, o colunista da revista eletrônica, Seth Stevenson, escreveu sobre como os grandes bancos de imagens planejam seus arquivos, antevendo modas e comportamentos. À partir dessa matéria-prima é que surgem muitas das inspirações de agências de publicidade.

Por aqui também se produz material exclusivo para bancos de imagens – talvez não com a força de ditar comportamentos futuros – mas o bruto me parece sair de sobras de trabalhos que não serviram a clientes com suas violentas cessões de direito autoral, ou de pequenas fugas de roteiros de trabalhos. Quem já teve que procurar uma situação com personagens de feições “abrasileiradas” sabe o quanto isso é difícil.

Num banco como a Getty o negócio é pesado. Stevenson conversou com Denise Waggoner, vice-presidente de pesquisa criativa da empresa e responsável por prever e produzir o que será vendável. Ela confessou que seu departamento não acompanhava muito os estudos sobre biotecnologia no mundo (!), até que surgiu a ovelha Dolly e o que todos queriam publicar era a ovelhinha escocesa, com um fundo recortável.
“Tivemos um dia bem ruim quando Dolly foi clonada”, diz Denise.

Na misturada de assuntos do artigo, este é o principal. Produzir para banco de imagens pode ser lucrativo, se planejado e conceituado. Stevenson dá a pista de que a tendência dos últimos anos é de imagens de gente comum, como um testemunho da autenticidade de pessoas reais.
Talvez seja esse o mistério da Everywhere Girl, reproduzida tantas vezes, muitas e muitas vezes mais que a Dolly.

Na montagem dos anúncios abaixo, o link para as fotos na Getty.

PS: Nem deu espaço de falar de Doug Menuez. Mas isso é muito mais difícil. Veja o seu site.