Posts Tagged ‘Fotografia’

1/30000 de Segundo de Um Estouro, Uma Gota ou Um Tiro

3 de novembro de 2008

A Smashing Magazine costuma desejar aos seus leitores uma feliz semana com sua “Monday Inspiration Serie”. Para nós a homenagem veio já neste domingo, com o post Celebration of High-Speed Photography (link no nome e na foto abaixo, de Jeroen Rouwkema).

São imagens espetaculares, feitas com a técnica de altíssima velocidade, para congelar momentos precisos. Todas têm seus links de origem, onde se conhece quem as faz de forma científica, como o Edgerton Center, em Cambridge (EUA); e criativa, como a de Carolyn Rasmussen.

Aos interessados, naveguem até o final, onde a revista publica uma lista de sites relacionados à técnica e, no caminho, assistam a vídeos como esse aqui, com imagens capturadas a uma velocidade de até 12.000 quadros por segundo.

Anúncios

O Mercado de Fotografia, Segundo Bob Hoggart

14 de agosto de 2008

Rob Haggart é editor de Fotografia, ou foi. Não se arrepende da decisão de deixar a redação do Men’s Journal, trocar Nova York por Durango (Colorado) e investir na Internet. Com um blog super ligado no mercado, o A Photo Editor, e muita perspicácia, já lançou uma plataforma de sites para profissionais, com direito a mostruário com trabalhos do onipresente Antonin Kratochvil (PhotoFolio, link na imagem) .

Haggart nada a favor da corrente e seu blog não é um a mais no mar de informações sem sentido, principalmente porque se preocupa em debater e apresentar questões. Faz isso sem misturar autoria, copyright e proposta de trabalho para o mercado editorial/institucional.
Em um de seus posts tem uma entrevista com o Diretor Criativo da Wired, Scott Dadich, que comenta o respeito que tem pelo trabalho dos fotógrafos que colaboram com essa prestigiosa revista. “Não dou permissão aos nossos designer cortar ou alterar nenhuma das imagens em nossas páginas e, em grande parte, tentamos não escrever sobre elas” (leia a entrevista aqui).

O Flickr parece ser um de seus assuntos preferidos. Já no início do blog ele propôs formas de fotógrafos tirarem proveito do site para serem vistos por diretores de arte (aqui). Há pouco tempo escreveu um post listando por quê editores não optariam por uma foto do Flickr para sua edição (aqui). O último cita o imbróglio criado pela Heinekein por acreditar que as fotos sob o selo Creative Commons do Flickr poderiam ser usadas livremente em publicidade (aqui).

O mais interessante é a comparação das discussões que nos envolvem. Os temas são semelhantes. Já a qualidade do debate…

O que mais precisamos aprender com Bob Haggart?

Quando você deixou o Men’s Journal, estava claro para você que deveria apostar na Internet?
Com certeza, sim. Eu queria viver fora de Nova York e queria trabalhar com o futuro da Fotografia e da mídia, que é a Internet.

Vejo na Fotografia duas discussões diferentes. Uma é sobre a própria fotografia; linguagem, o digital, novas tecnologias, etc. A outra é sobre o mercado, que é o “como sobreviver”. Mesmo quando você fala de fotos é sob um olhar mercadológico. É proposital? O quanto é esse assunto é importante para você?
Sim, é claro que Fotografia é um negócio e da mesma forma o é publicar revistas. Os fotógrafos que buscamos podem ajudar a revista a se conectar a consumidores e anunciantes. Não é só fazer a matéria ou tirar fotos de um assunto que fortalecerão os negócios pela Fotografia.

Seu blog está sempre propondo comportamentos, discussões ou dando dicas para profissionais. Nós temos a idéia de que fotógrafos na América são bem preparados para lidar com o Mercado, diretores de arte, editores. Não é essa a realidade?
Eu acho que todos querem estar adiante na competição. Fotógrafos estão sempre procurando por um jeito melhor de se aproximar de clientes ou tentando aprender como podem trabalhar melhor com certas situações.
Ultimamente eu acho que isso importa muito pouco porque a fotos são tudo o que importa. Mas se você pensa o quanto é difícil se tornar um fotógrafo melhor e o quão fácil é comprar um protifólio colorido, você verá o porque da discussão sempre se voltar para “qual portifólio colorido eu devo comprar?”

50 Megapixel de Hassel!

10 de julho de 2008

Se algumas agências de publicidade já exigiam de profissionais equipamento como a Hasselblad por seus 39 megapixel, elas agora podem ser mais exigentes. A empresa promete para outubro o lançamento da H3DII-50 (foto), que faz arquivos de 50 megapixel utilizando um sensor Kodak.

A “pequena” desvantagem é que ela faz uma foto por segundo e cada uma delas pode ocupar 300 mb no seu cartão, se é que alguém vai sair com ela por aí, ao invés de plugá-la num laptop.
Valor previsto: em torno de US$ 37.000, nos EUA, ou £21.995 no Reino Unido.
Os vendedores da Hassel chegam ao Brasil semana que vem, e só então será definido o valor em reais, mas que deve girar lá pelos R$ 115 mil (já com impostos).
Até que não ficou tão caro (pra quem pode), considerando que a versão H3DII de 39 mpixel custa R$ 106 mil no revendedor autorizado T.Tanaka. Só ano passado foram vendidos 98 conjuntos.

A Inspiração do Preto e Branco

9 de junho de 2008
Maurizio Polese
foto de  Maurizio Polese

Tem um portal que hoje publica um estudo sobre o mau-humor das segundas-feiras. Contrariando este mau-humorado mito e oferecendo coisas positivas, um outro site, de designing, mostra sua “Inspiração das Segundas-Feiras” (mais bonito no original, “Monday Inspiration Serie”).

O Smashing Magazine, direcionado a designers e desenvolvedores de sites, publica hoje uma belíssima homenagem à fotografia em Preto e Branco. Para eles, trata-se de uma modesta tentativa de inspirar os designers a usar preto e branco, ao invés de páginas hiper coloridas.

Para nós, fotógrafos, não é só inspirador, mas como diria certo astrólogo, uma hora de rever as origens do que nos trouxe até aqui.

Não vou dizer quem me passou este link para não sentir a inveja do mundo jornalístico, mas é uma pessoa sensacional, garanto.

A Intimidade da Cia de Foto

26 de maio de 2008

Desde que Pio Figueiroa e Rafael Jacinto deixaram o jornalismo diário para fundar a Cia de Foto, a referência do trabalho fotográfico, principalmente em São Paulo, foi mudada. Se eu fosse explicar iria chutar um monte coisas, porque não se trata apenas de um conceito ou modelo ou estilo fotográfico. Trata-se de um espírito que torna a Fotografia uma obsessão do prazer.

João Kehl juntou-se a eles pouco tempo depois e levou uma linguagem marcante ao trabalho do grupo. Ano passado teve seu ensaio sobre uma academia de boxe premiado no World Press Photo.

A última do Coletivo – que assina todas as imagens como Cia de Foto, sem autor específico – foi a atualização de sua página no Flickr com imagens de sua intimidade – algumas já estavam postadas lá – , muito bonitas e com um tratamento de imagem excepcional, embora ache que às vezes ele toma conta da leitura. Acontece que as imagens são incríveis, e valem a pena a visita.

Link aqui e na imagem.

O Piloto Renegado e seus Projetos Audaciosos

17 de abril de 2008

Quando trabalhei no Estadão, Hélio Campos Mello era diretor de Fotografia da Agência Estado, uma função nova no Brasil, sem a qual a Agência Estado não teria a força e o alcance que conquistou. Isso pode não dizer nada, mas para quem viveu bons momentos fez muita diferença.

Ele deu uma entrevista ao Fotosite. Eu tirei algumas partes para a gente.

Fotosite: Hélio você passou por uma grande parte da história do fotojornalismo. Qual a sua avaliação considerando que você viveu fases completamente diferentes?

Minha avaliação é meio mal humorada. Como eu gosto de corrida, vou fazer um paralelo. Aliás, não gosto mais de corridas. Corrida era muito legal porque era um desafio individual, o cara o tempo todo tinha que se concentrar para melhorar, porque os equipamentos eram precários. Hoje, os equipamentos são de uma auto-suficiência irritante, tem pouco da arte de pilotar. A fotografia também é um pouco disso, com relação a transição do analógico e digital, um pouco obviamente, não quero amargo demais, nem cretino. Mas de qualquer maneira hoje todo mundo fotografa, os equipamentos estão mais amigáveis. O equipamento está em função de inteligência, de olhar, então acho que o indivíduo se massificou, e acho que o indivíduo tem se especializar mais, ler, ver, pesquisar e pensar cada vez mais. (….) Hoje fazemos muitas fotos, isso é bom, mas perde um pouco da solenidade. Outro dia o Marcio Scavone me chamou para fazer um retrato no estúdio dele e tem solenidade, que vai te deixando mais propício para ser fotografado.

Fotosite: Considerando o que você já viu em exposições e em leituras de portfólio pelo Brasil, o que você já está cansado de ver?

É difícil falar sobre isso, porque com toda a experiência que eu tenho, para mim é muito mais fácil montar um portfólio, porque eu sei como funciona esse lado do balcão de olhar portfólio. Você olhar o potencial de uma pessoa por uma amostra de trabalho, é subjetivo. Vejo de uma maneira um pouco mais flexível. (…) A fotografia é um retrato do seu pensamento, ela tem que mostrar um pouco do pensamento e da personalidade da pessoa. A técnica não é fundamental, se um bom pensamento está retratado de maneira eficiente.

Fotosite: Nós publicamos uma notícia na FS Online que está causando muita polêmica, sobre uma fotógrafa que fez imagens do filho da Luciana Gimenez com o Mick Jagger na escola – ele estava com cinco anos na época – e publicou na revista Caras. A Luciana processou e a fotógrafa teve que indeniza-la em R$ 10,5 mil. Você concorda que os fotógrafos estão ultrapassando os limites para conseguir as fotos?

Eu concordo. Para quê? O que vai acrescentar? Eu lembro de uma pauta que foi feita a partir de uma informação que os repórteres trouxeram, de que o filho do Pitta (Celso Pitta, ex-prefeito de São Paulo) fumava maconha. So what? Porquê tem quer dar isso? Ele foi preso? Uma das coisas que mais gostei na Isto É foi uma matéria que pedi pra fazer sobre o João Carlos Martins, que era um pianista reconhecido como o maior interprete de Bach no mundo. Aí ele fez uma bobagem durante uma campanha do Maluf, notório canalha. Eu descobri que ele tinha uma história terrível, que além dessa bobagem com o Maluf, ele estava jogando futebol no Central Park, caiu em cima de uma pedra e danificou um tendão. Daí a mão direita parou de tocar, ficou só com a mão esquerda. Ele foi fazer um concerto não sei onde, agrediram o cara e a mão esquerda parou de funcionar. Aí foram fazer a matéria, queriam focar que ele era malufista. Eu falei “Tudo bem, ele é malufista, mas além de tudo ele é isso, isso e isso”. Então a imprensa tem essa história de linchar a priori, crucificar, ou seja, põe rótulo, um chapéu de palhaço, pendura um negócio no peito e põe o cara na rua pra ser linchado. Tive prazer de tentar modestamente, com uma revista como a Isto É, recolocar o cara em uma situação melhor. A gente tem esse negócio, porque a gente é imprensa, pode tudo. A gente pode invadir a casa dos outros e fotografar uma criança, pode meter a máquina na janela e ficar olhando. Não é uma coisa que eu gosto de fazer. Já me senti paparazzi uma vez e não gostei, tomei guarda-chuvada de porteiro de boate, mas é pessoal. Eu só acho que os valores deveriam ser um pouco mais equilibrados. Aquela coisa de “tudo pode pra se conseguir uma foto” – não é bem isso. A fotografia não é uma ideologia, é um trabalho, assim como jornalismo é um trabalho. O Cláudio Abramo que tem a grande frase: “É um trabalho de carpinteiro, tem que fazer as coisas direito, nada além disso”.

Fotosite: Você é um dos poucos fotógrafos que chegou a cargos dentro de uma redação que são tipicamente de jornalistas. Como isso aconteceu?

Foi indo naturalmente, mas com muita dor. Porque eu trabalhava com um cara muito chato, que era o Mino Carta, um chato de galocha.

Eu era tudo lá, editor de fotografia, fotógrafo, laboratorista. E o editar fotografia era sentar e paginar as matérias. Aí eu tinha as fotos, mas não sabia de que matéria que era, não tinha lido os textos. Tomava um esporro atrás do outro e fui ficando massacrado, até que tomei uma decisão estratégica, tática, inteligente, no meio daquela guerra, que foi conseguir uma cópia das matérias que chegavam via telex.
(…) Então eu lia as matérias e na hora de paginar eu sabia do que se tratava, dava para saber o que você estava fazendo. A partir daí eu comecei a ler a revista toda, lia tudo. Comecei a traduzir o The Economist e fechava. Outra coisa que me honra muito é que eu fechava também a coluna do Cláudio Abramo. E aí foi indo. Foi um pouco essa coisa de você como fotógrafo não ficar circunscrito pela estrutura do jornalismo, que te deixa ali a reboque. E pelo fato de você não conhecer só a sua engrenagem, você começa a entender o motor, e a interferir no motor.

Fotosite: Você acredita no Brasil?

Eu acredito, sim muito, mas tem que lutar, tem que defender as coisas. E são pequenas coisas, ou seja, desde as bobagens de você ser mais educado no trânsito, ser mais solidário com a pessoa que está do seu lado.

Fotosite: Fotografar ou escrever?

As duas coisas. Se bem que eu gosto um pouco mais de fotografar. Escrever é como música, tem a coisa do ritmo, fazer e refazer até chegar a algo que você acha legal.

Fotografar é algo mais social. Você tem que conhecer pessoas, lugares, se colocar de maneira eficiente, para não estragar eventos e cenas. Aí também tem aquele aspecto lúdico, de enquadrar aquele momento, esperar as coisas acontecerem, se antecipar, olhar por aquele visor…

Reservem o Maracanã

29 de fevereiro de 2008

firmo2.jpg

A Imã Foto Galeria promove no próximo dia 3 de Março (segunda-feira), a partir das 19:30 h, duas aulas gratuitas de fotografia com Walter Firmo. Na verdade são aulas inaugurais de dois cursos que Firmo ministra: Universo da Cor e Fábrica de Idéias. Mais detalhes, no site da Galeria.

Bem, este é o lide, a informação principal. Para quem não conhece o trabalho de Walter Firmo (o que acho possível, mas desolador), ele está distribuído por toda a fotografia brasileira. Até diretor do Instituto Nacional de Fotografia, da FUNARTE, ele foi.

Suas fotos nos inspiram há anos, mais precisamente, há 51 anos. Seu primeiro trabalho foi, como teste, operar um filme pb com a fotometragem correta (sem fotômetro), mas acabou fazendo fotos tão boas que foi contratado pelo jornal Última Hora. A partir daí Firmo mergulhou no imaginário brasileiro sem se restringir ao jornalismo – e sobre isso afirma, “não sou fotógrafo dos fatos; busco outra notícia através da estética da imagem”.

firmo1.jpg

Fez isso nas fitas coloridas de Dona Ivone Lara, com a pose de Pixinguinha, com as cores que misturou, nos rostos que conheceu. Criou algumas das referências que nos empenhamos hoje em reproduzir, como o trem na estação de Mangueira, sua escola de coração, lotado de baianas indo para o desfile na Marquês de Sapucaí.

Dar aulas não é novidade em seu currículo (o que é importante saber nos dias de hoje). Lá pelos anos 80 criou o princípio de seus cursos no inquietante titulo de A Descolonização do Olhar, junto a outro mestre, Antônio Augusto Fontes. O carioca de São Cristóvão e o paraibano Fontes não se conformavam com a padronização que a fotografia brasileira absorvia de fora e queriam estimular o nosso olhar criativo.

Aos que achavam que a luz dos trópicos era muito dura, fazia sombra e não era boa para a tabela da Kodak, outro grande fotógrafo, David Zing (americano de nascimento, brasileiríssimo como a Bossa Nova) dizia, “você precisa é acordar mais cedo”. Fontes e Firmo completavam: essa é a nossa luz, mude de tabela.

 firmo3.jpg   fotos de Walter Firmo, capturadas com autorização da galeria

Ter a chance de conviver com Walter Firmo é um privilégio, como entrar no universo da fotografia pelo caminho do pote de ouro. Além disso, é um ser raro ao nosso redor; quase em extinção. Na fotografia brasileira, ele cria.