Posts Tagged ‘história’

Milionário compra 200 mil fotos da Magnum

3 de fevereiro de 2010

Do site do Finantial Times (clique nos links)

FT.com / Media – Dell fund acquires Magnum opus.

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Um Mestrado de Muitos Mestres

25 de julho de 2008

A História Bem na Foto: Foto-Jornalistas e a Consciência da História, dissertação de mestrado de Aguinaldo Ramos, já foi assunto deste blog. Há uma semana aconteceu sua apresentação, no IFCS, da UFRJ. Depois de pouco mais de 3 anos, o trabalho que consumiu 200 páginas em espaço 2, foi aprovado.
Regina Maria da Cunha Bustamante, uma das doutoras da banca, o considerou “um desafio e uma subversão aos parâmetros teóricos acadêmicos, mas uma contribuição instigante que vem ao encontro do que a história vem buscando”.
Aguinaldo juntou Paul Veyne, Antonio Gramsci e o depoimento de mais de 30 fotógrafos para discutir as intenções ou ilusões que o fotógrafo tem de sempre tentar produzir uma foto que se torne um documento histórico, e categorizar as imagens quando isso efetivamente acontece.
A idéia vem da própria vida profissional do novo mestre e experiente fotojornalista, sempre na obrigação de fazer a foto surpreendente, emocionante. Em suas palavras, “transcendental”.

Não li o trabalho inteiro, mas acessei o blog (link aqui e nas fotos) que ele criou com os depoimentos dos 33 fotógrafos. Aí, então, ao mestre Aguinaldo juntam-se outros mestres. O que se lê – e vê – ali já seria o suficiente para emocionar acadêmicos, diletantes e auto-didatas. Seguem-se, um após outros, depoimentos de profissionais que fizeram história na imprensa brasileira. Só de prêmios Esso, têm 5 ou 6.
Walter Firmo, Luiz Morier, Américo Vermelho, Custódio Coimbra, Januário Garcia… putz. Com o perdão da palavra, é do cacete!

João Roberto Ripper conta como se tentava contornar a diretriz de O Globo contra a campanha das Diretas Já, Sérgio Araújo narra a emocionante história da mulher que se jogou do edifício Andorinhas em chamas, e Evandro Teixeira diverte com a deliciosa história da foto de Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius de Moraes deitados numa mesa de bar.

Aguinaldo, o Guina, parece ele mesmo saído de um samba bossa nova: não vai muito ao cinema, não vai mais a Ipanema, não gosta de chuva nem gosta de sol. Mas gosta de samba e, rubronegro, pelo menos vai ao Maracanã; não aos jogos, mas para umas caminhadas ao redor do estádio com a namorada, Márcia.

Seu depoimento me fez lembrar de uma conversa há anos, na Fotossíntese do Rio, quando ele me ensinava como fazer a fotometragem da luz, que eu não media direito. Comentou que trabalhou quase um ano com o fotômetro da Nikon F3 do Jornal do Brasil quebrado, e nem por isso deixava de fazer suas duas ou três pautas por dia.

Tudo isso é um tempo passado, que eu não vivi muito, mas que ainda emociona e surpreende, assim como Aguinaldo sempre quis suas fotos: “transcendental”.

PS: Inadvertidamente mandei um depoimento ao Guina, porque achei estar colaborando com um amigo. Leve engano. Estar no meio de nomes como os que citei é algo que só pode trazer orgulho, mas os elogios acima devem ser reservados a esses fotógrafos, que fizeram a história da fotografia e do país.

Tesouro em Caixas de Papelão

27 de janeiro de 2008

Sabe a velha história de guardar negativos em caixas de papelão? Pois três delas estão sendo consideradas o mais valioso tesouro para a história da Fotografia. Elas guardam os negativos de Robert Capa com sua cobertura da guerra civil espanhola, dados como perdidos desde a invasão nazista da França, de onde fugiu em 1939.
O achado, que envolve um general mexicano e seu sobrinho cineasta, um professor da Queens College e curadores do International Center of Photography (ICP), tem uma história incrível, com algum suspense e foi contada com detalhes em matéria de Randy Kennedy , no New York Times.

Junto com os negativos de Capa, havia também negativos de Gerda Taro e David Seymour, totalizando cerca de 3.500 originais.

capa1.jpg reprodução NYT

Desnecessário relevar a importância de Capa para o fotojornalismo. Depois dele e de sua máxima (“se suas fotos não são tão boas é porque você não chegou perto o suficiente” – “If your pictures aren’t good enough, you’re not close enough”) a cobertura de guerra mudou de rumo e de liguagem. Suas fotos da invasão da Normandia por exemplo, serviram de storyboard para filmes de guerra.

As caixas – que estão sendo chamadas de “the Mexican suitcase” – eram dadas como perdidas por Capa e provavelmente pelo próprio responsável por “salvá-las”, Imre Weisz, amigo, também húngaro e fotógrafo, que as teria levado de Paris a Marselha. De alguma forma, as caixas chegaram às mãos do diplomata mexicano General Aguilar Gonzalez, depois que Weisz foi preso. De volta ao México, nem Gonzalez nem Weisz (que também morou no México, depois de libertado) tocaram mais no assunto. Todo mundo foi morrendo e num dia de 1995 um professor do Queens College, onde ocorria uma mostra de fotos de guerra, recebeu o telefonema do cineasta que afirmava ter negativos de outras fotos de Capa. Iniciou-se uma longa negociação, que incluiu encontros onde o cineasta, que não quer ser identificado, simplesmente não apareceu.

Depois de mais de 70 anos em caixas de papelão, os negativos da “Mala Mexicana” estão desde dezembro sob a guarda do ICP, em Nova Iorque. Para todos os envolvidos há muito o que vasculhar, inclusive se a foto mais famosa de Robert Capa, The Soldier Falling – que mostra um soldado legalista no momento em que é atingido por um tiro – foi montada ou não. Aliás, na matéria do NYT há inclusive a suposição da foto não ser de Capa, mas de sua companheira, Gerda Taro.
Mas, aí, a história se tornará mais incrível ainda.

capa2.jpg The Soldier Falling, de Robert Capa