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Um Mestrado de Muitos Mestres

25 de julho de 2008

A História Bem na Foto: Foto-Jornalistas e a Consciência da História, dissertação de mestrado de Aguinaldo Ramos, já foi assunto deste blog. Há uma semana aconteceu sua apresentação, no IFCS, da UFRJ. Depois de pouco mais de 3 anos, o trabalho que consumiu 200 páginas em espaço 2, foi aprovado.
Regina Maria da Cunha Bustamante, uma das doutoras da banca, o considerou “um desafio e uma subversão aos parâmetros teóricos acadêmicos, mas uma contribuição instigante que vem ao encontro do que a história vem buscando”.
Aguinaldo juntou Paul Veyne, Antonio Gramsci e o depoimento de mais de 30 fotógrafos para discutir as intenções ou ilusões que o fotógrafo tem de sempre tentar produzir uma foto que se torne um documento histórico, e categorizar as imagens quando isso efetivamente acontece.
A idéia vem da própria vida profissional do novo mestre e experiente fotojornalista, sempre na obrigação de fazer a foto surpreendente, emocionante. Em suas palavras, “transcendental”.

Não li o trabalho inteiro, mas acessei o blog (link aqui e nas fotos) que ele criou com os depoimentos dos 33 fotógrafos. Aí, então, ao mestre Aguinaldo juntam-se outros mestres. O que se lê – e vê – ali já seria o suficiente para emocionar acadêmicos, diletantes e auto-didatas. Seguem-se, um após outros, depoimentos de profissionais que fizeram história na imprensa brasileira. Só de prêmios Esso, têm 5 ou 6.
Walter Firmo, Luiz Morier, Américo Vermelho, Custódio Coimbra, Januário Garcia… putz. Com o perdão da palavra, é do cacete!

João Roberto Ripper conta como se tentava contornar a diretriz de O Globo contra a campanha das Diretas Já, Sérgio Araújo narra a emocionante história da mulher que se jogou do edifício Andorinhas em chamas, e Evandro Teixeira diverte com a deliciosa história da foto de Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius de Moraes deitados numa mesa de bar.

Aguinaldo, o Guina, parece ele mesmo saído de um samba bossa nova: não vai muito ao cinema, não vai mais a Ipanema, não gosta de chuva nem gosta de sol. Mas gosta de samba e, rubronegro, pelo menos vai ao Maracanã; não aos jogos, mas para umas caminhadas ao redor do estádio com a namorada, Márcia.

Seu depoimento me fez lembrar de uma conversa há anos, na Fotossíntese do Rio, quando ele me ensinava como fazer a fotometragem da luz, que eu não media direito. Comentou que trabalhou quase um ano com o fotômetro da Nikon F3 do Jornal do Brasil quebrado, e nem por isso deixava de fazer suas duas ou três pautas por dia.

Tudo isso é um tempo passado, que eu não vivi muito, mas que ainda emociona e surpreende, assim como Aguinaldo sempre quis suas fotos: “transcendental”.

PS: Inadvertidamente mandei um depoimento ao Guina, porque achei estar colaborando com um amigo. Leve engano. Estar no meio de nomes como os que citei é algo que só pode trazer orgulho, mas os elogios acima devem ser reservados a esses fotógrafos, que fizeram a história da fotografia e do país.